21 de novembro de 2019 - 05:10

Cidades

14/12/2016 19:43

Dom Paulo Evaristo Arns lutou contra a ditadura e pelos direitos humanos

Dom Paulo Evaristo Arns morreu nesta quarta-feira (14) em São Paulo aos 95 anos de vida, sendo mais de 76 anos de dedicação à igreja. Sua trajetória ficou marcada pela defesa dos direitos humanos durante a ditadura militar e pela retomada da democracia, o que lhe rendeu o apelido de cardeal da resistência.

Quinto de 13 filhos de imigrantes alemães, Arns nasceu em 1921 em Forquilhinha, Santa Catarina. Ingressou na Ordem Franciscana em 1939 e iniciou seus trabalhos como líder religioso em Petrópolis, no Rio de Janeiro. Formou-se em teologia e filosofia em universidades brasileiras. Ordenado sacerdote em 1945, ele foi estudar na Sorbonne, em Paris, onde cursou letras, pedagogia e também defendeu seu doutorado.

Foi bispo e arcebispo de São Paulo entre os anos 60 e 70. Teve uma atuação marcante na Zona Norte da cidade, região em que desenvolveu inúmeros projetos para a população de baixa renda.

Ao longo de sua trajetória, trabalhou ainda como jornalista, professor e escritor, tendo publicado 57 livros. Torcedor fanático do Corinthians, ele sempre exaltou seu amor pelo clube paulista e escreveu o livro "Corintiano Graças a Deus".

O então Bispo Auxiliar da Zona Norte de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, durante missa de fim de ano no Pavilhão 3 da Penitenciária do Carandiru, em São Paulo, em dezembro de 1968 (Foto: Estadão Conteúdo/Arquivo)O então Bispo Auxiliar da Zona Norte de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, durante missa de fim de ano no Pavilhão 3 da Penitenciária do Carandiru, em São Paulo, em dezembro de 1968 (Foto: Estadão Conteúdo/Arquivo)

O então Bispo Auxiliar da Zona Norte de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, durante missa de fim de ano no Pavilhão 3 da Penitenciária do Carandiru, em São Paulo, em dezembro de 1968 (Foto: Estadão Conteúdo/Arquivo)

Durante a ditadura militar, destacou-se por sua luta política, em defesa dos direitos humanos, contra as torturas e a favor do voto nas Diretas Já. Ganhou projeção na militância em janeiro de 1971, logo após tornar-se arcebispo de São Paulo e denunciar a prisão e tortura de dois agentes de pastoral, o padre Giulio Vicini e a assistente social Yara Spadini. No mesmo ano, apoiou Dom Hélder Câmara e Dom Waldyr Calheiros, que estavam sendo pressionados pelo regime militar.

Nesse período, encontrou-se com o então presidente, Emílio Garrastazu Médici e questionou a truculência da ditadura: "Senhor presidente, eu estou aqui pra dizer ao senhor que nós gostaríamos que houvesse julgamento em São Paulo, que as pessoas não fossem presas assim sem mais nem menos", diz.

Conta que ouviu do general: "Nós não temos conversas, nós sabemos o que temos que fazer. O seu lugar é na igreja, na sacristia, e o nosso lugar é aqui para governar o estado".


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