16 de junho de 2019 - 02:41

Política

11/06/2019 04:28

Empreiteira simula contrato com Assembleia para emprestar R$ 2 milhões em banco de Cuiabá

José Riva admitiu em depoimento a Justiça Federal que assinou um ofício como membro da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa atestando uma dívida falsa com a Todeschini

DIEGO FREDERICI /Folhamax

O ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, o ex-deputado estadual José Riva (sem partido), revelou em depoimento à Justiça Federal que assinou um ofício juntamente com o também ex-parlamentar Sérgio Ricardo de Almeida atestando uma “falsa dívida” que a Assembleia Legislativa de Mato Grosso tinha com a empreiteira Todeschini no valor de R$ 2 milhões. A informação foi revelada durante uma audiência judicial conduzida pelo juiz federal da 5ª Vara de Mato Grosso, Jeferson Schneider, no dia 15 de março deste ano.

De acordo com Riva, a fraude ocorreu em 2008 – época em que ele ocupava o cargo de 1º Secretário da Mesa Diretora da AL-MT, enquanto Sérgio Ricardo presidia o órgão. A ação é um dos desdobramentos da operação “Ararath”, que apura crimes contra o sistema financeiro nacional, e aponta um suposto esquema de “compra” de uma vaga no TCE-MT feita por Sérgio Ricardo, que teria “pago” R$ 12 milhões pelo cargo.

De acordo com Riva, o ofício era direcionado ao Bic Banco - organização que é investigada na operação “Ararath”, e que auxiliava nos esquemas de lavagem de dinheiro -, informando que a Todeschini tinha R$ 2 milhões para receber do Poder Legislativo. Em seu depoimento, Riva detalhou que Sérgio Ricardo viabilizou o “empréstimo” à empresa ao lhe apresentar o proprietário da Todeschini em seu gabinete e dizendo que o empresário e não a Assembleia pagaria a dívida.

De acordo com o então primeiro Secretário da Mesa Diretora, o ofício foi um dos “únicos documentos” que assinou onde a empresa não tinha “contrato nem dinheiro para receber”.  “Eu não conhecia o dono da Todeschini. Esse foi um dos únicos que eu assinei que a pessoa não tinha nem contrato, nem dinheiro para receber. O Sérgio falou que era o próprio dono da empresa que iria pagar”, disse José Riva.

De acordo com investigações do Ministério Público Federal, a Procuradoria da AL-MT informou, em 2014, que o órgão não tinha dívidas com a Todeschini. Ao ser questionado sobre o uso do dinheiro, José Riva respondeu que não sabe onde ele foi empregado, dizendo apenas que chegou ao seu conhecimento que o ex-conselheiro Alencar Soare, que teria “vendido” seu cargo a Sérgio Ricardo por R$ 12 milhõesm, teria adquirido uma fazenda em Barra do Garças (500 KM de Cuiabá).

Segundo o MPF, o dinheiro entregue a Todeschini pode ter sido utilizado pelo próprio Sérgio Ricardo de Almeida como parte do pagamento do cargo de conselheiro do TCE-MT. Ele foi afastado do órgão em janeiro de 2017 após decisão do juiz que atuava na Vara de Ação Civil Pública e Ação Popular do Tribunal de Justiça (TJ-MT), Luis Aparecido Bortolussi Junior, que conduzia uma ação na esfera cível sobre a fraude.


Copyright  - MT HOJE  - Todos os direitos reservados