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O anúncio do Plano Safra reforça uma tendência que já dura décadas

Agro 360 01/07/2026 07:31 Por: Octaciano Neto
 
Na década de 1980, cerca de 6% do orçamento federal era destinado ao agro. Hoje, esse percentual gira em torno de apenas 0,5%. Essa redução explica por que o Estado já não consegue sustentar, sozinho, as necessidades financeiras de um setor que cresceu de forma extraordinária.
 
Hoje, a demanda anual de crédito do agronegócio brasileiro está próxima de R$ 1 trilhão. O Plano Safra responde por apenas cerca de um terço dessa necessidade. Os outros dois terços já são financiados pelo mercado, por fornecedores, tradings, cooperativas, bancos privados e instrumentos do mercado de capitais.
 
Mais do que isso: quando se descontam as equalizações e se considera o efetivo esforço fiscal da União — incluindo a renúncia tributária das isenções de Imposto de Renda e os subsídios ao crédito — o desembolso público não passa de aproximadamente R$ 40 bilhões por ano.
 
Isso mostra que o governo vem acelerando a perda de protagonismo no financiamento da agricultura. O futuro do agro brasileiro dependerá cada vez mais da capacidade de atrair capital privado, ampliar o mercado de capitais e utilizar os recursos públicos como instrumento de alavancagem, e não mais como principal fonte de financiamento.”
 
Octaciano Neto, fundador da Zera, consultoria especializada em soluções de crédito e financiamento privado para o agronegócio.