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Santa Catarina se prepara para a próxima safra de arroz com cuidado especial no solo

Agro 360 Arroz 03/07/2026 10:22 Monique Amboni e Shaiane Corrêa - SindArroz-SC

Produtores de Santa Catarina estão na fase de preparação do solo para a safra 2026/2027 de arroz. Esse trabalho, feito na entressafra, é essencial para garantir uma plantação saudável e uma colheita de qualidade. O estado é o segundo maior produtor de arroz do Brasil e usa técnicas especiais para cuidar da terra.

O solo é uma das partes mais importantes para o plantio do arroz. É nele que o grão germina, brota e cresce. No calendário dos produtores de arroz de Santa Catarina, o período entre as safras é o momento de preparar a terra. Essa etapa é essencial para garantir uma boa próxima colheita. Nessa fase, os produtores limpam o campo e fazem o manejo do solo para criar as condições ideais para o plantio. Depois, o arroz segue para o cultivo, a colheita e o beneficiamento nas indústrias ligadas ao Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz-SC).

Em Santa Catarina, as áreas de plantio foram adaptadas ao longo do tempo para o sistema pré-germinado. Isso inclui nivelamento do terreno, estrutura de irrigação, drenagem e manejo técnico, que tornam a lavoura mais eficiente e produtiva. De acordo com a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), o estado tem 94 municípios que produzem arroz. Juntos, eles somam 149,5 mil hectares de arroz irrigado.

  • Santa Catarina é o segundo maior produtor de arroz do Brasil, com 94 municípios envolvidos.
  • A preparação do solo na entressafra ajuda a reduzir plantas daninhas e pragas.
  • Os produtores usam um equipamento chamado rolo-faca para triturar a palha do arroz que ficou no solo.
  • A drenagem dos canais de irrigação é feita com uma máquina chamada valetadeira.
  • O setor enfrenta uma crise econômica e busca soluções como a automação para reduzir custos e falta de mão de obra.

As etapas da preparação do solo

Os produtores que estão se preparando para a safra 2026/2027 estão na primeira fase do ciclo do arroz: o cuidado com o solo. Depois da colheita, que acontece entre fevereiro e abril, o que sobra na terra são a palha, a raiz e o caule do cereal. Para eliminar esses restos, os produtores usam um equipamento acoplado ao trator chamado rolo-faca. Ele passa por cima do material, amassando e quebrando a palha.

Segundo o engenheiro agrônomo da Epagri, Reginaldo Ghellere, essa operação mecânica é de baixo custo e faz com que a palha fique bem próxima do solo. "Esse processo ajuda a acelerar a decomposição e, ao mesmo tempo, favorece a germinação das sementes de ervas daninhas que estão no solo", explica.

Drenagem e novo preparo

A segunda etapa é a drenagem dos canais de irrigação de cada quadra de arroz. Para isso, é usada a valetadeira, uma máquina que abre drenos superficiais e canais de escoamento. "Cerca de 15 a 20 dias depois dessa operação, é recomendado passar o rolo-faca novamente para eliminar as plantas que cresceram e ajudar outro fluxo de germinação", diz Ghellere.

Após a segunda passagem do rolo-faca, entre 45 e 60 dias depois, o engenheiro agrônomo recomenda o uso de herbicidas para eliminar as plantas que nasceram. "Todo esse cuidado tem o objetivo de reduzir o banco de sementes no solo, evitar o florescimento da soca e o cruzamento de plantas de arroz vermelho com o arroz comercial, além de reduzir doenças e pragas. Isso facilita o controle das plantas daninhas da próxima safra e ajuda a obter maior produtividade", explica.

A importância para a cadeia produtiva

Para o presidente do SindArroz-SC, Walmir Rampinelli, a preparação do solo é uma etapa decisiva para todo o desempenho da cadeia produtiva. "É nesse período, antes mesmo do plantio, que começa a construção de uma safra de qualidade. O cuidado com o solo reflete diretamente no desenvolvimento da lavoura e, mais adiante, na qualidade do arroz que chega às indústrias e aos consumidores. Por isso, cada etapa realizada no campo tem impacto em todo o setor", destaca.

Com a preparação, começa também o percurso do arroz dentro de uma cadeia produtiva que envolve diferentes etapas, do campo ao beneficiamento industrial. Em Santa Catarina, essa integração entre produção e indústria sustenta a qualidade do grão e a participação do estado no abastecimento dos mercados consumidores.

Do campo ao beneficiamento

Esse trabalho realizado na entressafra ajuda a entender a importância do arroz catarinense para o abastecimento. O grão, que é o segundo cereal mais cultivado no mundo, corresponde a 11% da área irrigada em Santa Catarina. Além disso, o estado é o segundo maior produtor de arroz do Brasil, contribuindo para o abastecimento dos mercados estaduais e nacionais.

"Contamos com um produto de altíssima qualidade, com o desenvolvimento de novas variedades pela EPAGRI e oferta de sementes de qualidade. Não só isso, mas temos produtores qualificados e experientes no plantio do arroz", aponta o presidente do SindArroz-SC.

Enfrentando a crise

Essa mesma cadeia, que começa na lavoura e segue para as indústrias, também enfrenta desafios fora do campo. Além do manejo técnico necessário para garantir a produção, o setor precisa lidar com custos, falta de mão de obra e necessidade de modernização para manter a eficiência e a competitividade.

A forte crise econômica, sentida nas safras 2024/2025 e 2025/2026, continua gerando impactos negativos na cadeia produtiva do arroz. Diante desse cenário, as indústrias do setor têm buscado alternativas para tornar suas operações internas mais eficientes, sem comprometer o equilíbrio do ciclo produtivo.

Entre as medidas observadas está o avanço da automação nas fábricas, especialmente como resposta à falta de mão de obra. "Há empresas preocupadas com a redução de jornada. Quando falamos de profissionais especializados, a preocupação é ainda maior. Uma das soluções observadas tem sido o aumento do uso de tecnologia para compensar essa dificuldade e otimizar os processos", esclarece Rampinelli.

Sobre o SindArroz-SC

Fundado em 1975, o Sindicato das Indústrias do Arroz de Santa Catarina (SindArroz-SC) atua como representante das empresas cerealistas do estado. Com 27 indústrias associadas, a entidade tem como um dos principais objetivos conquistar melhorias para toda a cadeia produtiva do alimento, bem como servir de ponte para as beneficiadoras do grão. A rizicultura catarinense é responsável por 15% do abastecimento nacional e gera milhares de empregos em Santa Catarina e em outras regiões do país.