Evento gratuito no Rio de Janeiro exibe filmes e oferece oficinas para jovens de 8 a 17 anos, com mostra internacional e júri formado por crianças.
O amor pelo cinema começou cedo. Aos 5 anos, Miguel Figueiredo Viglio já brincava de montar filmes com histórias de super-heróis. Aos 7, fez um curso de stop motion, técnica de animação quadro a quadro. "Aí comecei a fazer filmes em stop motion com brinquedos que tinha e fui melhorando", contou à Agência Brasil.
- O festival exibe 68 filmes feitos por jovens de 8 a 17 anos, selecionados entre 467 inscrições de 41 países e 10 estados brasileiros.
- As produções abordam amizade, preconceito, inteligência artificial, cyberbullying e crise climática.
- Crianças e adolescentes também fazem parte do júri oficial, com idades entre 8 e 17 anos.
- A programação é gratuita e acontece em três espaços do Rio: Teatro Municipal Carlos Gomes, Instituto Cervantes e Jardim Botânico.
- Além das mostras, há oficinas e mesas redondas para jovens cineastas e educadores.
Hoje com 14 anos, Miguel tem certeza de que quer seguir carreira no cinema, mesmo sabendo que é um caminho difícil. "É difícil, mas sei que vou trabalhar com algo que gosto e com pessoas que também gostam", afirmou.
Miguel é um dos concorrentes do Festival Internacional Pequeno Cineasta (FIPC), que ocorre de 18 a 24 de outubro, no Rio de Janeiro. O evento é gratuito e tem apoio da Prefeitura do Rio e do Ministério da Cultura.
Trajetória de jovens talentos
Em casa, Miguel conta com o incentivo da mãe, Chica Amoreira, que lembra com orgulho dos prêmios do filho. Só com o filme "Circo dos Horrores", que participa desta edição, ele venceu o Melhor Filme no festival FECEA (RS, 2025), Troféu Geração no Festival do Rio (2025) e Melhor filme pelo Júri Popular no É Tudo Criança (MG, 2026).
Fora do Brasil, foi finalista no CineClub Dei Picoli (Itália, 2025), no Madeira Curtas Short Film (Portugal, 2026) e no REC Film Festival (Alemanha, 2026).
Daniel Nini, de 16 anos, também participa do festival. Ele começou no teatro e depois se interessou por cinema. "Com 10 anos percebi que podia estar nos filmes e fazer filmes. Comecei a ver muita coisa para ter bagagem cultural e tentar realizar meus próprios roteiros", disse.
No início, usava o celular para gravar. "Eu não tinha câmera, e quando gravei pelo telefone, achei que nada seria aproveitado porque o som não estava bom, mas a edição fez mágica, e na tela grande ficou ótimo", contou. Depois, comprou equipamentos com o dinheiro das atuações.
Júri formado por jovens
Uma característica do festival é que crianças e adolescentes participam da escolha dos vencedores. O Júri Oficial é composto por jovens de 8 a 17 anos, mesma faixa etária dos competidores.
Carina Ki, integrante do júri, disse que a experiência foi marcante. "Quando soube que eram de 13 a 17, pensei que seria algo experimental, mas fiquei impactada com a criatividade e as técnicas. As crianças se esforçaram muito. Fiquei impressionada com o talento", avaliou.
"Tenho o projeto de estudar cinema, então foi muito importante ter contato com produções de outros adolescentes", concluiu.
Para Daniela Gracindo, idealizadora do FIPC, o diferencial é que não são adultos falando sobre crianças, mas sim elas que assumem as câmeras para contar suas histórias. "Elas se sentem mais participantes e com protagonismo, pois a opinião delas importa", explicou.
11ª edição do festival
O FIPC chega à 11ª edição com mais atividades e interesse dos jovens. A ideia surgiu quando Daniela produzia uma homenagem ao avô Paulo Gracindo. Em 2009, uma turma com alunos de 9 a 13 anos inaugurou a Oficina Pequeno Cineasta, que acompanha crianças em todas as etapas de um filme: ideia, roteiro, atuação, direção, filmagem e edição.
O festival foi criado em 2010 e, segundo Daniela, era mais tímido no início. "Cada edição é uma grande troca cultural e uma forma de se aproximar das crianças, dando a elas um espaço qualificado para se expressar pela sétima arte", afirmou.
As oficinas já foram realizadas no Rio, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e até fora do Brasil, como na Guiana Francesa e na Argentina.
Segundo Daniela, ver crianças que nunca entraram numa sala de cinema ficarem encantadas é impactante. "Imagina quando elas descobrem que outra garota ou garoto, como elas, fez aquele filme. É muito forte para todos", disse.
Produções de todo o mundo
Este ano, o festival exibe 68 filmes de jovens de 8 a 17 anos, selecionados a partir de 467 inscrições de 41 países e dez estados brasileiros. As produções são ficções, documentários e animações que mostram como essa geração enxerga questões como amizade, preconceito, inteligência artificial, cyberbullying e crise climática.
A competição tem quatro categorias: Nacional e Internacional Criança (8 a 12 anos) e Nacional e Internacional Jovem (13 a 17 anos). Também há mostras especiais: Oficina Pequeno Cineasta, Filmes Hispânicos e Sustente Sua História, dedicada a produções sobre sustentabilidade.
Os temas incluem afetos, perdas, amizade, preconceito, trabalho, inteligência artificial, violência, cyberbullying, crise climática e relação entre humanidade e natureza.
Destaques e intercâmbio
Na abertura, dia 18 às 11h, no Teatro Municipal Carlos Gomes, haverá encontro entre cineastas do Brasil e da Guiana Francesa. Serão exibidos seis curtas feitos por cerca de 80 crianças e jovens de Saint-Georges, produzidos em oficinas de 2025 e 2026, além de um minidocumentário.
Na segunda-feira (19), no Instituto Cervantes, em Botafogo, das 15h30 às 17h, acontece a Mesa Redondinha, com jovens cineastas dos dois países para debater escolhas narrativas, temas e desafios de realização.
Nos dias 19 e 20, das 9h às 13h, o Instituto Cervantes recebe o workshop Cinema na Sala de Aula, para professores e educadores. A ministrante é a pesquisadora argentina Irene Blei, criadora da Oficina de Cine El Mate, primeira escola de cinema infantil de Vicente López, na Argentina.
Festival nas escolas
O festival também chega às escolas por meio do Pequeno Cineasta na Escola. Instituições inscritas têm acesso gratuito às mostras competitivas e podem organizar sessões, com votos para o Prêmio do Júri Popular.
Para Daniela, é essencial que crianças e jovens se aprofundem na linguagem audiovisual. "Não é só ser youtuber ou tiktoker, mas que eles se tornem críticos e saibam o que estão recebendo e fazendo", afirmou.
Ao longo das edições, o festival reuniu produções de 54 países e alcançou mais de 80 mil pessoas, promovendo autoria, direito à expressão e formação de público.
O encerramento será no Instituto Cervantes, das 16h às 18h, com premiação e homenagem a Gracindo Jr., que morreu em setembro, aos 83 anos.


Divulgação Festival Internacional Pequeno Cineasta (FIPC)






