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15 de março de 2026

Guerra pode impactar preço dos combustíveis, mas Brasil não corre risco de desabastecimento

Economia Gasolina 03/03/2026 07:03

A Petrobras já vinha operando com elevadas defasagens nos preços dos combustíveis, principalmente o diesel. Nesta esta segunda-feira (2), com petróleo na casa dos US$ 80 por barril, a diferença entre os preços internos e externos dos combustíveis atingiu o maior patamar desde janeiro de 2025.

A escalada das cotações internacionais do petróleo após o início da guerra do Irã joga pressão sobre os preços dos combustíveis no país e pode atrasar o ciclo de queda da taxa de juros. Especialistas, porém, não veem risco de desabastecimento.

 

A Petrobras já vinha operando com elevadas defasagens nos preços dos combustíveis, principalmente o diesel. Nesta esta segunda-feira (2), com petróleo na casa dos US$ 80 por barril, a diferença entre os preços internos e externos dos combustíveis atingiu o maior patamar desde janeiro de 2025.

 

Na abertura do mercado, o diesel vendido pelas refinarias da estatal custava R$ 0,73 por litro abaixo da paridade de importação calculada pela Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis). Na gasolina, a diferença era de R$ 0,42 por litro.
São as maiores defasagens desde janeiro de 2025, quando a Petrobras promoveu o último aumento no preço do diesel vendido por suas refinarias. Naquela ocasião, a defasagem chegou a superar os R$ 0,80 por litro. O reajuste foi de R$ 0,22 por litro.

 

Procurada, a Petrobras ainda não se manifestou sobre o preço dos combustíveis. A empresa costuma esperar o estabelecimento de novos patamares de preços internacionais antes de decidir por reajustes, principalmente em momentos de grande volatilidade.
As ações da companhia reagiram positivamente à alta do petróleo, já que a maior parte de sua receita vem hoje da exportação da commodity.

Por volta das 12h, as ações preferenciais da Petrobras avançavam 3,94%, cotadas a R$ 40,86 -o papel dá prioridade no recebimento de dividendos, mas não confere direito a voto. Na máxima do pregão, as ações chegaram a R$ 41,53, valorização de 5,59%.

Analistas brasileiros e internacionais dizem que o impacto sobre os preços vai depender da duração e da intensidade do conflito, principalmente em relação a eventual fechamento do Estreito de Hormuz por um prazo mais longo.

Por lá, passa cerca de um quinto da produção mundial de petróleo. O destino da maior parte desse volume são grandes consumidores asiáticos, como China e Índia.

O sócio da Leggio Consultoria, Marcus D'Elia, diz que, por enquanto, espera-se muita volatilidade nas cotações internacionais, mas o preço do barril deve ser contido pela sobra de óleo no mundo, resultado do crescimento baixo da demanda menor que o da oferta.
Na sua opinião, um conflito de até dez dias manteria o barril entre US$ 80 e US$ 100, mas de forma temporária, já que os principais clientes do Oriente Médio têm estoques suficientes para substituir 100 a 200 dias de importação.

"Se a interrupção do estreito se prolongar por até 40 dias, outras regiões, como EUA e União Europeia poderiam consumir seus estoques também, reduzindo a pressão de demanda e, com isso, contendo a alta de preços."