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Banco de Edir Macedo é acusado de enganar investidores e o Banco Central, diz Polícia Federal

Economia Fraude 24/06/2026 09:02 Eduardo Gonçalves - EXTRA extra.globo.com

O Banco Digimais, controlado pelo Bispo Edir Macedo, é investigado por tentar enganar o mercado financeiro e o Banco Central sobre sua real situação. A Polícia Federal fez buscas e a Justiça mandou congelar R$ 670 milhões dos acusados.

As investigações da Polícia Federal (PF) mostram que o Banco Digimais, do Bispo Edir Macedo, tentou enganar o mercado e o Banco Central (BC) sobre sua verdadeira situação financeira. Na terça-feira (dia 23), durante a Operação Miragem, foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra diretores do banco, fundos e empresas ligadas ao grupo.

  • A PF afirma que o banco usou uma engenharia financeira complexa para burlar as regras do Banco Central.
  • Em uma auditoria de 2023, o BC descobriu que o patrimônio de um fundo estava inflado em 943%.
  • Mesmo após ordem do BC para corrigir o valor, o banco vendeu o fundo por um preço muito acima do real em 2025.
  • A Justiça Federal de São Paulo mandou congelar bens e valores de até R$ 670 milhões dos investigados.
  • O Banco Digimais disse em nota que está colaborando com as autoridades e que preza pela transparência.

A Justiça Federal de São Paulo também mandou congelar bens e valores de até R$ 670 milhões dos investigados.

O que o banco diz

O Digimais afirmou, em nota, que está à disposição das autoridades para dar explicações e colaborar com a Justiça. A instituição reafirma seu compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades competentes, disse.

Em um relatório que serviu de base para a operação, a PF aponta que o Digimais criou uma engenharia financeira complexa para burlar normas e determinações do Banco Central.

A investigação citou como exemplo uma auditoria do BC, feita em outubro de 2023. Nela, o BC descobriu que o patrimônio de um fundo estava superinflado em 943% (de R$ 71 milhões para R$ 741,3 milhões) e mandou corrigir o valor das cotas para R$ 71 milhões.

Operação com fundo

Segundo as investigações, mesmo com a ordem do BC, em dezembro de 2025, o banco fechou um contrato de compra e venda do fundo com uma empresa do grupo pelo valor de R$ 741,3 milhões, com pagamento previsto para 2032.

Essas ações mostram que o banco assumiu riscos excessivos e agiu sem cuidado, o que pode ser considerado gestão temerária e fraude no mercado de capitais, escreveu a PF. A investigação se baseou em relatórios do Banco Central e viu semelhanças entre as fraudes do Digimais e as do Banco Master.

Para a PF, a conduta do Digimais foi uma forma de burlar a ordem de correção que já havia sido dada. A sequência de ações mostra fortes indícios de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, o que exige medidas para aprofundar a investigação, disse o relatório.

Para os investigadores, a tentativa repetida do banco de manter informações falsas sobre seu patrimônio tinha como objetivo dar uma aparência de riqueza aos seus balanços.

Nesse contexto, essas ações tinham o poder de enganar os investidores do mercado e o próprio Banco Central sobre a saúde financeira da instituição, concluiu a PF.