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Como o El Niño afeta os negócios e como se proteger

Economia El Niño 29/07/2026 14:40 Daniel Paschino, CFO da Qive agfeed.com.br

O El Niño pode causar problemas não só na agricultura, mas também nas finanças das empresas. Saiba como usar a informação e a organização para evitar prejuízos.

A chance de o El Niño se formar no segundo semestre de 2026 já passou de 80%, segundo um estudo do INPE, INMET, Funceme e Censipam. Ele pode durar até o início de 2027. O Banco Central já considera que isso pode aumentar a inflação em 0,3 a 0,4 pontos percentuais nos próximos dois anos, principalmente por causa dos alimentos, energia e fretes.

Para muitas empresas, esse tipo de informação ainda é visto como algo distante, só sobre o clima ou a economia. O problema é que, quando o impacto aparece no resultado financeiro, já é tarde para agir.

  • O El Niño não afeta só as plantações, mas também os fornecedores, contratos e pagamentos das empresas.
  • Problemas no clima podem atrasar entregas, aumentar custos e causar falta de produtos.
  • Empresas que usam sistemas separados para notas fiscais, cadastro de fornecedores e pagamentos demoram para perceber os problemas.
  • Observar de perto os documentos e pagamentos dos fornecedores pode ajudar a identificar riscos antes que virem prejuízo.
  • Ter dados confiáveis e processos bem organizados é a melhor forma de se preparar para crises e tomar decisões rápidas.

Eventos climáticos não afetam apenas as safras, a energia ou a logística de forma geral. Eles pressionam a operação por meio de fornecedores, contratos, prazos, documentos e pagamentos.

Uma quebra de produção reduz o volume entregue. Um gargalo logístico altera o prazo de faturamento. Uma pressão de caixa no fornecedor aparece antes como atraso documental ou mudança no padrão de emissão de notas.

Esses sinais existem. A questão é se a empresa consegue enxergá-los a tempo. Em ambientes de maior volatilidade, a diferença entre antecipar e reagir está menos na capacidade de prever o evento externo e mais na maturidade dos processos internos.

Empresas que operam com documentos fiscais em um sistema, cadastro de fornecedores em planilhas e pagamentos em outro fluxo tendem a identificar o problema quando ele já virou impacto no caixa.

Como usar o financeiro para se antecipar

O financeiro precisa olhar para o fluxo de contas a pagar não apenas como uma rotina de liquidação, mas como uma fonte importante de inteligência operacional. A queda no volume de notas de um fornecedor estratégico, o aumento de divergências, a recorrência de documentos incompletos ou atrasos na conciliação são indícios que podem antecipar riscos de abastecimento, pressão de margem e ruptura de contrato.

Isso exige integração. Não basta ter dados, é preciso que eles sejam confiáveis, conectados e auditáveis. A associação entre documento fiscal, fornecedor, contrato, pagamento e comprovante cria uma visão mais precisa do que está acontecendo na base operacional da empresa.

Essa visão permite decisões melhores: renegociar prazos, revisar estoques críticos, priorizar fornecedores, ajustar projeções de caixa ou reforçar controles antes que a pressão apareça no fechamento.

Nenhuma empresa controla o clima. Mas as empresas podem controlar a qualidade da própria informação, a disciplina dos seus processos e a velocidade com que transformam sinais operacionais em decisão financeira.

Em períodos de choque externo, eficiência sem controle é insuficiente. Velocidade sem rastreabilidade aumenta risco. E dados desconectados criam uma falsa sensação de gestão.

O alerta pode vir de fora, mas a capacidade de resposta precisa estar dentro da empresa. O que separa uma organização que antecipa riscos de uma que apenas administra consequências é, cada vez mais, a maturidade da sua governança financeira.