A fabricante de máquinas agrícolas CNH Industrial registrou aumento de receita, mas o lucro caiu bastante devido à baixa demanda e à crise financeira na América do Sul e no Brasil.
A CNH Industrial, dona das marcas Case IH e New Holland, divulgou seus resultados do segundo trimestre de 2026. A receita da empresa cresceu, mas o lucro caiu muito em comparação com o mesmo período do ano passado.
A receita total foi de US$ 4,8 bilhões, um aumento de 2%. Já o lucro líquido foi de US$ 141 milhões, uma queda de 35% em relação aos US$ 217 milhões do segundo trimestre de 2025. Com isso, o lucro por ação foi de US$ 0,11, contra US$ 0,17 no ano anterior.
- A queda no lucro é um sinal de que o setor de máquinas agrícolas está passando por um momento difícil.
- O Brasil e a América do Sul são os principais responsáveis pela queda nas vendas e no lucro.
- Os agricultores estão comprando menos máquinas por causa da crise financeira.
- A empresa está cortando custos e controlando os estoques para se adaptar a essa nova realidade.
- Para o ano todo, a CNH projeta uma margem de lucro entre 5% e 5,5% na divisão de Agricultura.
O lucro ajustado, que não considera itens extraordinários, foi de US$ 161 milhões, ante US$ 216 milhões no mesmo período de 2025. O Lucro antes de juros e impostos (EBIT) das atividades industriais caiu 25%, para US$ 167 milhões.
A divisão de Agricultura, a mais importante para a empresa, teve receita quase estável, de US$ 3,28 bilhões, uma alta de 1%. Esse resultado foi positivo por causa dos preços, mas as vendas menores na América do Sul puxaram o desempenho para baixo.
O lucro da divisão de Agricultura caiu bastante: US$ 170 milhões no trimestre, contra US$ 263 milhões no mesmo período de 2025, uma queda de 35%. Além da fraca demanda na América do Sul, a empresa citou outros fatores que prejudicaram o resultado: a combinação de produtos vendidos, as tarifas de importação, e os gastos maiores com administração e pesquisa.
América do Sul e Brasil seguem pressionados
A América do Sul foi o principal ponto de pressão no trimestre, não só pela queda nas vendas de máquinas, mas também nos serviços financeiros da empresa. A receita desse segmento foi de US$ 656 milhões, uma queda de 4%, e o lucro foi de US$ 71 milhões, contra US$ 87 milhões no ano anterior.
A empresa citou o Brasil como um dos fatores. Nos serviços financeiros, o resultado foi impactado por custos maiores de risco no país, além de margens menores e redução de volume na América do Sul e na América do Norte.
A inadimplência (contas atrasadas há mais de 30 dias) subiu de 3,9% para 4,4% do total, por causa da situação econômica que afeta os agricultores, principalmente na América do Sul.
Fundo do ciclo
O presidente da CNH, Gerrit Marx, disse que os resultados mostram o trabalho da equipe em um mercado difícil. "Nossos resultados do segundo trimestre refletem a execução disciplinada da equipe da CNH em um mercado que permanece no fundo do ciclo da agricultura", afirmou.
"Apesar das condições do setor, entregamos crescimento de receita e progresso em nossas prioridades, incluindo qualidade, fornecimento, eficiência e consolidação da rede de concessionárias."
A empresa disse que, por causa do cenário difícil, está focada em vendas, corte de custos e eficiência nas fábricas, mantendo a produção baixa e trabalhando com as concessionárias para reduzir os estoques.
Para o ano inteiro, a CNH ajustou suas metas para o topo da faixa prevista, com a divisão de Agricultura projetando uma margem de lucro entre 5,0% e 5,5% e vendas praticamente estáveis. A empresa também informou que devolveu US$ 200 milhões aos acionistas no trimestre, por meio de dividendos e recompra de ações.


CNH Industrial - Foto: Divulgação





