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Diretor e vereadores são alvos de operação por desvio de cestas básicas em Mato Grosso

Policia Corrupção 03/07/2026 18:20 Redação Pauta Diária pautadiaria.com.br

A Polícia Civil de Mato Grosso investiga um esquema que desviou cerca de 13 mil cestas básicas de um programa do governo estadual, causando um prejuízo de quase R$ 2 milhões. Um diretor de agência e cinco vereadores são os principais suspeitos.

A Polícia Civil iniciou, na manhã desta sexta-feira (3), a Operação Mesa Vazia, na cidade de Barra do Garças (MT). O objetivo é investigar um possível esquema de desvio de cestas básicas e kits de higiene do programa SER Família Solidário, da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc).

  • O prejuízo estimado com o desvio das cestas pode chegar a R$ 1,95 milhão.
  • Cerca de 13 mil cestas básicas foram desviadas entre 2021 e 2025.
  • Um diretor e cinco vereadores estão entre os principais alvos da operação.
  • As cestas eram levadas para casas, chácaras e associações, em vez de serem entregues às famílias.
  • A investigação começou após uma denúncia anônima recebida em fevereiro deste ano.

Os principais alvos da operação são o diretor institucional da Agência de Regulação e Fiscalização (AGIRF), Benier Marcos Silva, o assessor Renato de Souza Soares, conhecido como "Renatinho", e os vereadores Valdeí Leite Guimarães ("Pebinha"), Adilson Tavares Lopes, Allankley Lopes de Souza ("Alan Construtor"), Armando José de Brito e Elton Melo.

Foram cumpridas 47 ordens judiciais, incluindo buscas, apreensões, quebra de sigilos e afastamento de funções públicas. Benier e Renato foram afastados de seus cargos por 90 dias.

Prejuízo de quase R$ 2 milhões

A polícia acredita que cerca de 13 mil cestas básicas foram desviadas entre 2021 e 2025. Cada cesta custa, em média, R$ 150, o que significa um prejuízo total de aproximadamente R$ 1,95 milhão para os cofres públicos.

As investigações mostram que o esquema funcionava de duas formas. Na primeira, as cestas seguiam o caminho normal e eram entregues oficialmente. Na segunda, as cargas eram desviadas para casas, chácaras e associações. Depois, os produtos eram redistribuídos entre os suspeitos ou até vendidos.

Denúncia anônima deu início ao caso

A investigação começou depois que uma pessoa fez uma denúncia anônima em fevereiro deste ano. A polícia ouviu testemunhas, analisou documentos, vídeos e conversas de aplicativos.

Um motorista da prefeitura de Barra do Garças contou que fez várias viagens de Cuiabá até a cidade usando um caminhão oficial. Ele disse que, primeiro, levava as cestas para a secretaria municipal. Depois, fazia novas viagens para buscar cestas que eram "do Benier".

Segundo o motorista, essas cestas não iam para prédios públicos, mas eram descarregadas em uma chácara e, depois, em uma casa no bairro Novo Horizonte. Ele seguia as ordens de Benier e Renato durante o trajeto.

Outra testemunha disse que emprestou uma chácara para Benier, sem saber o que seria feito lá. Depois, descobriu que o local foi usado para guardar as cestas do governo.

O chefe de gabinete da prefeitura contou que, em uma ocasião, autorizou o empréstimo de um caminhão municipal, achando que as cestas seriam para a população. Ao descobrir que os produtos iriam para associações ligadas a um dos investigados, ele não permitiu mais.

Justiça nega prisão dos suspeitos

O juiz Luis Felipe Lara de Souza reconheceu a gravidade do caso, mas negou o pedido de prisão preventiva dos investigados. Ele entendeu que, neste momento, não há provas de que eles representem um risco, como ameaçar testemunhas ou atrapalhar as investigações.

Mesmo sem prisão, o juiz autorizou buscas, apreensões, quebra de sigilos e o afastamento dos cargos públicos. A investigação vai continuar para descobrir a participação de cada um e responsabilizar os culpados.