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Vereadora é presa por mandar matar fiscal em 'tribunal do crime'

Policia Crime 04/07/2026 06:28 METRÓPOLES folhamax.com

A vereadora Carla Nicolau de Oliveira Ferreira, de Esmeraldas (MG), foi presa suspeita de mandar matar um fiscal da prefeitura. O crime aconteceu em dezembro de 2025, e a polícia descobriu que a ordem partiu de um grupo criminoso que julgava e executava vítimas.

A vereadora Carla Nicolau de Oliveira Ferreira (Cidadania-MG), de Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, conhecida como Carla da Pizzaria, foi presa nesta sexta-feira (3/7) na Operação Juiz Paralelo, da Polícia Civil de Minas Gerais.

Ela é investigada por supostamente mandar matar o fiscal de obras da Prefeitura de Esmeraldas, Claudinei Pereira Nunes, de 40 anos, executado a tiros em dezembro de 2025. Além da parlamentar, outros três investigados apontados como executores do crime também foram presos.

  • A vereadora é suspeita de mandar matar um fiscal da prefeitura após uma briga política.
  • O crime aconteceu em dezembro de 2025, quando a vítima voltava das compras de Natal com a família.
  • A polícia descobriu um 'tribunal do crime' que julgava e executava pessoas.
  • Além da vereadora, outras três pessoas foram presas como suspeitas de participar do crime.
  • Quatro suspeitos ainda estão foragidos.

Em nota, a Câmara Municipal informou que não recebeu comunicação oficial sobre o caso e que adotará as providências cabíveis caso seja formalmente notificada pelas autoridades.

As investigações

Segundo a Polícia Civil, a operação cumpriu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão expedidos pela Justiça no âmbito das investigações sobre uma organização criminosa suspeita de envolvimento em homicídios, tráfico de drogas e outros crimes na região de Esmeraldas. De acordo com a corporação, as apurações indicam que a organização mantinha um 'tribunal do crime', utilizado para julgar e executar vítimas conforme interesses do grupo.

Além de Carla da Pizzaria, foram presos William Douglas Silva Santana, conhecido como 'Doguinha', Leandro Richard Teixeira, o 'Bitoca', e Matheus Alves dos Santos, o 'Paçoca'. Outros quatro investigados seguem foragidos.

O crime

As investigações apontam que a vereadora teria procurado um dos chefes do tráfico da região e informado que Claudinei seria um informante da polícia. A partir dessa informação, o criminoso teria determinado a execução do servidor público. Conforme a Polícia Civil, a motivação do crime estaria ligada a uma rixa pessoal e política entre a parlamentar e a vítima.

O assassinato ocorreu na noite de 23 de dezembro de 2025, no bairro Quintas São José, em Esmeraldas. Claudinei voltava das compras para a ceia de Natal com a esposa e os três filhos do casal um bebê de quatro meses e duas crianças, de 7 e 11 anos quando o carro da família foi interceptado por criminosos armados.

O fiscal foi atingido por cerca de 15 disparos e morreu no local, diante da esposa e dos filhos. Nenhum dos familiares ficou ferido. O crime causou grande comoção na cidade pela violência da execução, ocorrida às vésperas do Natal.

Conforme a Polícia Civil, a Operação Juiz Paralelo foi desenvolvida em duas etapas. A primeira teve como foco identificar e prender os executores do homicídio. Nesta nova fase, os investigadores avançaram sobre integrantes apontados como lideranças da organização criminosa e suspeitos de participação no planejamento e na determinação da execução.

Carla Nicolau de Oliveira Ferreira cumpre o segundo mandato consecutivo como vereadora de Esmeraldas. Ela foi eleita pela primeira vez para a legislatura de 2021 a 2024 e reeleita para o mandato de 2025 a 2028.

Vereadora estava trabalhando normalmente

No seu perfil do Instagram, a vereadora gravava vídeos denunciando a situação das ruas da cidade e pedindo providências ao poder público. Há cerca de duas semanas, comemorou uma verba recebida, no valor de R$ 400 mil, para investimentos na segurança pública e aquisição de viatura.

Desde o crime no final de dezembro, a vereadora vinha trabalhando normalmente na Câmara Municipal.

Nota da Câmara

Em nota, a Câmara Municipal de Esmeraldas informou que, até o momento, não recebeu comunicação oficial dos órgãos competentes sobre os fatos envolvendo a vereadora. A Casa afirmou que, caso haja comunicação formal ao seu corpo jurídico, analisará o caso dentro de suas atribuições legais e regimentais e adotará as providências cabíveis, se necessário.

O Legislativo também reafirmou o compromisso com a legalidade, a transparência e o respeito ao devido processo legal.