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11 de agosto de 2026

Filha de vidente é presa por suspeita de participar da morte de herdeira de colecionador

Policia Prisao 05/08/2026 11:28 Ana Clara Silva - Diário do Rio diariodorio.com

A Justiça do Rio decretou a prisão de Catarina Stanesco, filha da vidente Rosa Stanesco, e de seu companheiro, Rafael Maia Cardoso, investigados pela morte de Sabine Boghici. O Ministério Público denunciou o casal por cárcere privado, tortura e induzimento ao suicídio, e acredita que Sabine sofria agressões e vivia isolada. O companheiro de Catarina foi preso nesta terça-feira (05/08).

A Justiça do Rio de Janeiro determinou a prisão preventiva de Catarina das Graças Stanesco, filha da vidente Rosa Stanesco, investigada pela morte de Sabine Coll Boghici, filha do marchand Jean Boghici. A decisão foi da juíza Alessandra Roidis, da 1ª Vara Criminal da Capital, que também decretou a prisão de Rafael Maia Cardoso, companheiro de Catarina. Ele foi detido nesta terça-feira (05/08) por policiais da 9ª DP (Catete).

Os dois foram denunciados pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) por cárcere privado, tortura e induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio qualificado. Para a Promotoria, Sabine foi submetida durante meses a agressões, isolamento e intenso controle sobre sua rotina até morrer, em setembro de 2023.

  • A Justiça também decretou a prisão do companheiro de Catarina, Rafael Maia Cardoso.
  • O casal é acusado de cárcere privado, tortura e induzimento ao suicídio de Sabine.
  • O caso envolve a família Boghici, famosa por sua coleção de arte.
  • Rosa Stanesco, mãe de Catarina, foi condenada a 45 anos por um golpe milionário contra a mãe de Sabine.
  • Testemunhas relataram gritos, pedidos de socorro e agressões no apartamento onde Sabine vivia.

Ao receber a denúncia, a magistrada considerou que há indícios suficientes para a abertura da ação penal e entendeu que a prisão preventiva é necessária para garantir a ordem pública e preservar a produção de provas. O processo tramitará pelo Tribunal do Júri, já que parte dos crimes imputados aos denunciados é equiparada a hedionda.

O caso ganhou grande repercussão por envolver a família Boghici e Rosa Stanesco. A vidente foi condenada a 45 anos e nove meses de prisão por liderar o grupo responsável pelo golpe milionário aplicado contra Geneviève Boghici, mãe de Sabine e viúva do colecionador Jean Boghici. Segundo a investigação, a morte de Sabine passou a ser reavaliada justamente após surgirem dúvidas sobre a versão inicial de suicídio.

A morte de Sabine

De acordo com o MP, depois de deixar a prisão em 2023, Sabine foi morar em um apartamento na Lagoa, onde teria permanecido praticamente isolada. Testemunhas ouvidas pela Polícia Civil afirmaram que familiares, amigos e até advogados encontravam dificuldades para manter contato com ela. Funcionários do condomínio também relataram episódios frequentes de gritos, pedidos de socorro e agressões.

A denúncia sustenta ainda que Catarina e Rafael tinham conhecimento da fragilidade psicológica da vítima e, em vez de buscar atendimento ou proteção, reforçavam sua intenção de tirar a própria vida. Uma das testemunhas afirmou que Catarina chegou a responder "então se mata" após ouvir Sabine manifestar esse desejo. Para o Ministério Público, esse episódio faz parte de um contexto mais amplo de violência física e psicológica que culminou na morte da filha do marchand.

Investigação contra Rosa Stanesco

Rosa Stanesco também é investigada nesse caso, mas o inquérito que apura sua eventual participação foi separado por determinação da Justiça e segue em andamento.

O golpe milionário que abalou a família Boghici

Em 2022, Sabine Coll Boghici foi presa sob a acusação de integrar um esquema que desviou cerca de R$ 725 milhões em obras de arte, joias, relógios de luxo e dinheiro da própria mãe, Geneviève Boghici, viúva do colecionador Jean Boghici. De acordo com a investigação da Delegacia Especial de Atendimento à Pessoa da Terceira Idade (Deapti), o grupo teria usado falsas videntes para convencer a idosa de que a filha corria risco de morrer e que apenas sucessivos "tratamentos espirituais" poderiam evitar a tragédia.

Segundo a Polícia Civil, após conquistar a confiança da vítima, os envolvidos passaram a exigir pagamentos elevados e a retirar obras de artistas como Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti do patrimônio da família. As investigações também apontam que Sabine teria isolado a mãe de amigos e funcionários, restringido seu contato com outras pessoas e recorrido a ameaças e agressões para obrigá-la a continuar entregando dinheiro e bens ao grupo criminoso.