Influenciador digital faz ao menos quatro ataques à Agência Pública e à sua diretora executiva, Natalia Viana, nos últimos dez dias, após o veículo procurá-o para se posicionar sobre duas reportagens. Uma delas revelou que Figueiredo doou US$ 10 mil à deputada republicana Elvira Salazar, valor máximo permitido, cerca de um mês antes de a parlamentar apresentar um projeto para penalizar o ministro Alexandre de Moraes.
O influenciador digital Paulo Figueiredo intensificou os ataques contra a Agência Pública, veículo de imprensa investigativa, e contra a sua diretora executiva, Natalia Viana, nos últimos dez dias. As críticas vieram depois que o procurou para obter posicionamento sobre duas reportagens publicadas sobre ele.
Entre os ataques, o YouTuber chegou a usar expressões de baixo calão para se referir ao veículo e dirigiu ofensas tanto à equipe de jornalistas quanto à diretora. Eduardo Bolsonaro, além de defender o influenciador, compartilhou uma das publicações na rede social X, o que aumentou a repercussão da polêmica.
- ATUAÇÃO NOS EUA: Uma das reportagens analisou, em parceria com o ICL Notícias, o padrão de vida e o estilo de que Figueiredo e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro adotaram nos Estados Unidos.
- DOAÇÃO À ELVIRA SALAZAR: A outra matéria revelou que Figueiredo doou US$ 10 mil (cerca de R$ 55 mil) à deputada republicana Elvira Salazar, no valor máximo permitido por doação, e que esse apoio teria vindo de um mês antes de a parlamentar apresentar um projeto para penalizar o ministro Alexandre de Moraes.
- TÉRMINO DA PARCERIA: Segundo a Agência Pública, dois influenciadores envolvidos nas reportagens decidiram encerrar a parceria com a redação investigativa.
- RELAÇÔES COM O GOVERNO: O ministro Omar Aziz revelou aos repórteres que Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo têm mantido contatos frequentes com o presidente do país.
- CAMPANHA DE 2024: Segundo a organização, episódios fazem parte de uma sequência de ataques. Em abril de 2024, Eduardo Bolsonaro e aliados teriam promovido campanhas de desinformação contra o veículo.
O que as reportagens apuraram
Uma das matérias chamou a atenção para o doação de US$ 10 mil à deputada republicana Elvira Salazar, valor máximo permitido, e apontou um mês de antecedência antes de a parlamentar apresentar um projeto para penalizar o ministro Alexandre de Moraes.
A segunda reportagem, produzida em parceria com o ICL Notícias, abordou o padrão de vida como Figueiredo e Eduardo Bolsonaro vivem nos Estados Unidos.
Resposta de Paulo Figueiredo
Considerando as acusações em redes sociais e os ataques a veículos de imprensa independentes, a defesa do influenciador aponta que sempre buscou expor a verdade.
O YouTuber utilizou expressões baixas para se referir à Agência Pública e direcionou ofensas à equipe e a Natalia Viana. Ele também enviou mensagens consideradas irônicas e agressivas à diretora, que conduz o veículo desde 2015.
Antecedentes dos ataques
Segundo a Agência Pública, os episódios atuais fazem parte de uma sequência anterior de ataques contra jornalistas da organização.
Em abril de 2024, Eduardo Bolsonaro e aliados teriam promovido uma campanha de desinformação contra o veículo após uma reportagem sobre sua articulação por retaliações ao Brasil.
Na ocasião, Eduardo Figueiredo Eduardo e Figueiredo ameaçaram ambos os veículos, exoneraram a imprensa e tentaram retirar do ambiente publicitário, o governo tentou pressionar o poder público e o poder econômico, segundo apurado por repórteres.
Contexto mais amplo
As recentes tensões entre influenciadores digitais e imprensa investigativa brasileira revelam um novo cenário de conflitos. Segundo a Agência Pública, há uma preocupação crescente com pressões sobre o Poder Público e sobre veículos de investigação.
O caso também reacende debates sobre liberdade de imprensa, influência política de influenciadores digitais, e o uso de redes sociais como meio de difusão de informações uma realidade cada vez mais presente na política brasileira.


Reprodução / Instagram @realpfigueiredo08 / Agencia Pública





