O empresário bolsonarista Paulo Figueiredo atacou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e afirmou que mulheres, especialmente as solteiras, votam mal. Ele ainda sugeriu que quem discordasse poderia 'arrancar os pentelhos das calcinhas'. As declarações foram feitas em um vídeo no YouTube e repercutiram na política.
O empresário e influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo disse, em uma crítica à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que mulheres votam muito mal especialmente as solteiras, já que as casadas tenderiam a acompanhar o voto dos maridos.
A fala foi feita em um vídeo no YouTube na quinta-feira (25). No mesmo vídeo, ele chamou Michelle de feminista, em tom de crítica.
- Paulo Figueiredo é neto do último presidente da ditadura militar, João Figueiredo
- Ele mora nos Estados Unidos e é próximo da família Bolsonaro
- Michelle havia postado vídeos reclamando de ataques dos enteados, Flávio e Jair Bolsonaro
- Pesquisas mostram que Flávio tem mais rejeição entre as mulheres do que entre os homens
- Figueiredo sugeriu que quem discordasse dele poderia 'arrancar os pentelhos das calcinhas'
Figueiredo também disse que quem ficasse insatisfeito com a fala poderia 'arrancar os pentelhos das calcinhas'. Os trechos foram citados pelo colunista da Folha Celso Rocha de Barros.
Nesta segunda-feira (29), depois da publicação da notícia, o influenciador insistiu no mesmo ponto em uma postagem no X (antigo Twitter) e atacou a Folha de S.Paulo.
'Deixa eu me retratar: mulher não vota muito mal, mulher vota mal PARA CARALHO. Especialmente as solteiras. Se trabalha na Folha então, pior ainda. Como isso sequer é controverso, meu Deus Estatisticamente é indiscutível. Mas nem sempre foi assim! Isso tem a ver com o avanço desta ideologia demoníaca feminista que está destruindo a vida das mulheres. Posso e vou provar', escreveu Figueiredo.
Um dia antes da live, que durou uma hora e 46 minutos, Michelle havia publicado dois vídeos nas redes sociais. Neles, ela disse sofrer ataques dos enteados por causa de divergências políticas sobre a formação da chapa eleitoral no Ceará.
A ex-primeira-dama afirmou ter sido desrespeitada e maltratada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que foi escolhido pelo pai, Jair Bolsonaro (PL), para ser o candidato do clã à Presidência.
Neto de João Figueiredo, último presidente da ditadura militar, Paulo Figueiredo vive nos Estados Unidos e é uma das principais pontes entre o governo de Donald Trump e a família Bolsonaro.
Ao comentar os vídeos de Michelle, ele a criticou na live. 'Onde o Flávio vai pior [nas pesquisas eleitorais] é justamente no eleitorado feminino', afirmou, antes de ironizar: 'Parabéns! Bela ajuda'.
Segundo a pesquisa Datafolha mais recente, o presidente Lula (PT) venceria Flávio por 52% a 37% entre as mulheres, em um segundo turno. Já entre os homens, o bolsonarista venceria por 50% a 41%.
Figueiredo também disse que Michelle e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), ex-ministra da Mulher, são feministas.
'Muitas mulheres acham que são feministas só porque elas entendem que precisam ter os mesmos direitos que os homens. Isso não é feminismo', afirmou. Segundo ele, o feminismo é de origem marxista e 'carrega consigo ideias de todo tipo, como as cotas identitárias das quais Michelle fala com tanto orgulho'.
Durante a transmissão, Figueiredo disse que Flávio não é o único candidato de direita com rejeição entre as mulheres. Ele afirmou que, se o voto fosse apenas de mulheres nos Estados Unidos, 'todos os eleitos teriam sido democratas até hoje, inclusive a Kamala Harris [ex-vice-presidente dos EUA], com exceção de Ronald Reagan'.
Essa afirmação precedeu a declaração de que mulheres votam mal.
'Mulher vota estatisticamente muito mal. Principalmente mulheres solteiras. Mulheres casadas, em geral, tendem a acompanhar o voto do marido. Mulheres solteiras, não. Isso o que estou dizendo... Podem arrancar os pentelhos das calcinhas, fazer o que quiser, principalmente as feministas, que têm mais pentelhos, mas eu quero dizer a vocês: isso é estatística', disse ele.
Seja nos EUA ou no Brasil, os dados das urnas não permitem saber exatamente como cada grupo votou, por causa do sigilo do voto. Mas pesquisas de opinião mostram que Flávio e Jair Bolsonaro têm maior rejeição entre as mulheres. Os democratas nos EUA também costumam ter mais apoio feminino, mas não em todos os casos.
Segundo dados do centro de pesquisa Mulheres Americanas e Política, ligado à Rutgers University, as eleitoras preferiram o candidato republicano nas eleições de Ronald Reagan (1980 e 1984) e de George Bush (1988).
Isso não significa que os democratas teriam ganhado todas as outras eleições, porque o resultado depende da distribuição dos votos no Colégio Eleitoral.
No vídeo, Figueiredo diz que 'é sempre a esquerda' quem se sai melhor entre as mulheres. 'O que o PL Mulher tem feito para melhorar essa história Rosca, zero.'
Ele também zombou do fato de Michelle chamar Bolsonaro de 'galego'.
'Vocês não têm vontade de cortar um pouquinho os pulsos, só para ver o que acontece, toda vez que ela fala meu galego Não soa fake Principalmente se vocês soubessem as coisas que eu sei...', insinuou.
A campanha de Flávio tem tentado, desde a publicação dos vídeos de Michelle, diminuir os efeitos negativos entre as mulheres. Uma das apostas é indicar uma mulher como sua vice na chapa presidencial.
Segundo o Datafolha mais recente, o senador é o presidenciável com maior rejeição entre as mulheres: 53% delas disseram que não votariam nele de jeito nenhum no primeiro turno. O presidente Lula foi citado por 40% das mulheres.
Assim como o filho, Jair Bolsonaro também tinha mais rejeição entre as mulheres. Ao longo de sua carreira política, o ex-presidente fez várias declarações consideradas machistas. Por exemplo, ele disse que a deputada Maria do Rosário (PT-RS) não merecia ser estuprada 'porque é muito feia'. Ele foi condenado a se retratar e a pagar indenização.
Ele também chamou mulheres petistas de 'feias' e 'incomíveis' em um vídeo e declarou ter 'fraquejado' ao ter uma filha mulher depois de quatro filhos homens. Além disso, atacou jornalistas mulheres.


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