O pastor e empresário Márcio Poncio, suspeito de ligação com a Máfia do Cigarro, foi solto da prisão preventiva e vai cumprir prisão em casa. A decisão foi do ministro Alexandre de Moraes, do STF, por causa de problemas graves de saúde. Ele terá que usar tornozeleira eletrônica e seguir várias regras.
O pastor e empresário Márcio Poncio conseguiu uma decisão importante do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Ele vai poder cumprir prisão em casa, em vez de ficar na cadeia. A troca da prisão preventiva pela domiciliar só foi aceita com algumas condições: ele terá que usar uma tornozeleira eletrônica e seguir outras regras.
- Márcio Poncio tem uma doença grave no intestino chamada retocolite ulcerativa
- Ele já passou por uma cirurgia para retirar o intestino grosso e o reto
- A esposa dele está grávida e corre risco na gravidez
- Ele foi preso em um flat na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro
- A investigação faz parte da Operação Unha e Carne, que apura crimes de jogo do bicho e contrabando de cigarros
A mudança foi autorizada por causa da saúde dele. Poncio tem retocolite ulcerativa grave, já passou por uma cirurgia para retirada do intestino grosso e do reto e depende de acompanhamento médico permanente. O ministro Moraes também levou em conta que a mulher do investigado está passando por uma gravidez de alto risco.
Ele foi preso pela Polícia Federal no dia 2 de julho, em um flat na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A captura aconteceu durante a quinta etapa da Operação Unha e Carne, que investiga possíveis relações entre contraventores, empresários e agentes públicos do Rio de Janeiro.
Além dele, a operação também prendeu Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar. Os dois já estavam presos quando novos mandados foram expedidos.
Márcio Poncio é investigado por suspeita de envolvimento com o grupo conhecido como Máfia do Cigarro. Pastor da Igreja da Nuvem, ele também é pai da deputada estadual Sarah Poncio e do cantor Saulo Poncio, ex-integrante da dupla UM44K.
Mesmo fora da prisão, Poncio terá que seguir uma série de medidas determinadas pelo STF. Ele não poderá entrar em contato com outros investigados, não poderá usar redes sociais e terá que entregar os passaportes. Qualquer autorização para porte de arma também deverá ser suspensa.
O que a Operação Unha e Carne investiga
A Operação Unha e Carne tenta esclarecer a origem e o destino de recursos que, supostamente, foram movimentados pela cúpula do jogo do bicho e por integrantes do comércio ilegal de cigarros. A Polícia Federal apura se parte desse dinheiro teria sido usada para abastecer esquemas de lavagem de dinheiro e pagamentos a representantes dos poderes Executivo e Legislativo do Rio de Janeiro.
As suspeitas ganharam força a partir de documentos apreendidos em outra investigação, a Operação Fumus, realizada em 2021. Na ocasião, agentes encontraram planilhas com anotações que, segundo a PF, poderiam indicar repasses irregulares, doações eleitorais e movimentações financeiras ligadas à ocultação de patrimônio.
Os registros também levantaram a hipótese de pagamentos frequentes a políticos do estado. Ao menos 20 nomes estariam sob investigação por supostamente receber valores de Adilsinho, apontado como uma das principais lideranças do jogo do bicho no Rio.
O contraventor só foi localizado em fevereiro deste ano, em Cabo Frio, após quase cinco anos foragido. A Polícia Federal usou drones para confirmar o endereço onde ele estava.
Em abril, o ministro Gilmar Mendes afirmou ter recebido de um diretor da PF relatos de que mais de 30 deputados estaduais do Rio de Janeiro poderiam ter recebido mesadas ligadas ao jogo do bicho. As investigações continuam.


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