Colunista critica o aumento de 15% no Bolsa Família semanas antes do pleito, apontando uso eleitoral de política pública criada no governo FHC que hoje desestimula o trabalho e custa bilhões aos cofres públicos.
É considerado um escândalo que o presidente Lula reajuste o valor do Bolsa Família apenas algumas semanas antes da eleição. Essa atitude deixa clara a utilização política de um programa social que, segundo o colunista, já perdeu completamente sua finalidade original de ser temporário.
Diferentemente do que a esquerda divulga, o programa não foi inventado por Lula. Foi no governo Fernando Henrique Cardoso que surgiram o Bolsa Escola, o Bolsa Alimentação e outras iniciativas de transferência de renda, que depois foram apenas agrupadas sob um novo nome pelo Partido dos Trabalhadores. A inspiração, aliás, veio de um liberal: Milton Friedman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia, que propunha um auxílio simples e temporário para quem estivesse abaixo de certa renda, até que conseguisse um emprego.
- O reajuste foi de 15,04%, somando R$ 22 bilhões em 2027.
- O programa custa R$ 158 bilhões no orçamento de 2026.
- Lula tem 53% das intenções de voto entre os beneficiários.
- Flávio Bolsonaro tem 28% das intenções de voto nesse grupo.
- Existem 50,1 milhões de beneficiados e 66 milhões de brasileiros fora do mercado.
Transformação do benefício em moeda eleitoral
No Brasil, essa lógica foi abandonada. Desde o primeiro mandato, o PT transformou o benefício em moeda eleitoral, e Lula soube associá-lo à própria imagem. Segundo o Datafolha, entre os beneficiários ele tem 53% das intenções de voto, contra 28% de Flávio Bolsonaro. Assim, o que deveria ser política de Estado passou a ser visto como favor do governo de plantão.
O que deveria ser provisório virou permanente, desestimulando o trabalho. Com 50,1 milhões de beneficiados e 66 milhões de brasileiros em idade ativa fora do mercado, é razoável supor que parte dessa ociosidade decorra do programa, justamente quando o país precisa de mão de obra para crescer.
O custo elevado do programa
Há ainda a conta: R$ 158 bilhões no orçamento de 2026, aos quais o reajuste de 15,04%, autorizado por Gilmar Mendes à revelia do TSE, somará R$ 22 bilhões em 2027. Como lembra Thomas Sowell, se alguém recebe sem trabalhar, alguém trabalha sem receber.
A necessidade de sair do benefício
O êxito do Bolsa Família deveria ser medido por quem sai dele, não por quem entra. Criar essa porta de saída exige um estadista, e não um populista preocupado apenas em se manter no poder.


Bolsa Família (Jefferson Rudy/Agência Senado)





