14 de novembro de 2019 - 04:31

Cultura

Turismo vai fazer diagnóstico antes de formular ações na cultura

AB

O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, disse na quinta-feira (7), em Gramado (RS), que sua primeira ação à frente da Secretaria Especial de Cultura será a realização de um diagnóstico para só então formular um novo planejamento estratégico para valorizar e incentivar as ações culturais de todo o país.

Ontem, o presidente Jair Bolsonaro transferiu a Secretaria Especial de Cultura do Ministério da Cidadania para o Ministério do Turismo. Em edição extra do Diário Oficial da União, o dramaturgo Roberto Alvim foi nomeado para chefiar a secretaria.

Em nota, o Ministério do Turismo disse que a secretaria já atuava integrada em diversas pautas e atividades estratégicas com o Ministério do Turismo. “A cultura é um dos principais atrativos turísticos do país e é responsável por grande parte da movimentação de visitantes nacionais e internacionais. O Brasil representa o 9º país em atrativos culturais do mundo, segundo Índice de Competitividade Global do Fórum Econômico Mundial”, diz a nota.

O ministro pediu calma aos trabalhadores do setor. “Eu quero dar uma palavra de tranquilidade aos artistas do Brasil. Podem ficar tranquilos que a cultura vai ser conduzida e desenvolvida com muita responsabilidade, visto que esse setor é muito importante para o Brasil”, disse o ministro.

Marcelo Álvaro Antônio disse ainda que é preciso apoiar a cultura não só dos grandes centros. “A gente precisa incentivar e dar oportunidade aos nossos artistas regionais, valorizar as nossas culturas nos quatro cantos do Brasil e é para isso que a gente vai trabalhar”.


Palácio da Instrução recebe seminário dedicado à cadeia produtiva do audiovisual

Diretor da Rede Brasileira de Film Commission, André Faria chega à Cuiabá nesta quinta-feira (07.11) para palestra
 
sobre os vetores de desenvolvimento econômico do audiovisual e o turismo cinematográfico

Protásio de Morais

O Salão Nobre do Palácio da Instrução abrigará na próxima quinta-feira (07.11), a partir das 15h30, o Seminário “Mato Grosso Film Commission”, voltado à cadeia produtiva do audiovisual e seus desdobramentos econômicos e sociais. Com entrada franca, o evento é uma parceria entre a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel) e Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), via Secretaria Adjunta de Turismo.      

O encontro busca que Mato Grosso forme uma entidade que trabalhe para incentivar e encontrar meios de atrair para o Estado mais produções audiovisuais, bem como apoiar a cadeia produtiva do segmento, traçando caminhos práticos para uma conexão entre os produtores e entidades públicas e privadas da região.

Para palestrar, o publicitário André Faria, diretor executivo da Rede Brasileira de Film Commissions, traz na bagagem informações sobre o desenvolvimento econômico por meio do audiovisual, os impactos gerados e as possibilidades de crescimento do turismo cinematográfico.

Representante do Brasil na Latin American Film Commission Network, a Rede Latino-americana de Film Commissions, André Faria explica que a recepção de projetos audiovisuais acarreta em múltiplos benefícios para as localidades que os recebem, impulsionando assim o crescimento da atividade econômica.

“Uma produção audiovisual aciona empresas locais atuantes nos mais variados segmentos como alimentação, transporte, hotelaria, a exemplo. É real o ganho nas oportunidades de trabalho. Em um segundo momento, temos também o aumento da atividade turística, já que a região ganha maior visibilidade ao ser retratada em mais obras audiovisuais, atraindo assim mais visitantes e movimentando a economia local”, ressalta.

Christiano Antonucci
Publicitário, formado pela Escola Superior de Propaganda e Marketing, André Faria é diretor executivo da Rede Brasileira de Film Commissions desde 2017

Simplificando, Film Commissions são escritórios de apoio à produção audiovisual (filmes, séries de televisão, documentários, publicidade, etc) espalhados pelo mundo. Objetivam atrair produções audiovisuais, além de apoiar operacionalmente produtores de todos os formatos de conteúdo audiovisual nas filmagens ou photoshoots (sessões fotográficas) numa determinada localidade, realizando a interface entre os produtores e as instâncias governamentais e privadas da região.

“Film Commissions fortes emanam de sociedades e governantes que já compreendem o retorno trazido pelo audiovisual. O seminário no Palácio da Instrução pode ser o primeiro passo para a implantação de um escritório Film Commission em Mato Grosso. Existem muitas Film Commissions espalhados pelo mundo com intuito de atrair e auxiliar as produções realizadas em sua região, sejam locais ou estrangeiras”, aponta André.

Para Paulo Traven, secretário adjunto de Cultura, os dados econômicos gerados pela cadeia produtiva do audiovisual são muito promissores. O secretário citou filmes brasileiros, a exemplo, em que aparecem cidades norte americanas.

“Quando a cidade aparece num filme, aumenta o número de venda de pacotes para lá. Existem dados que apontam que toda vez que esse filme é reexibido na TV Brasileira, aumenta o número de pacotes para aquelas cidades que aparecem. Então, a gente está num esforço de juntar o audiovisual com o turismo nesse sentido, facilitando as produções e atraindo turismo para as nossas cidades”, garante o secretário. 

Perspectivas

Países próximos como Chile, Colômbia e Uruguai criaram importantes programas de incentivos ficais à produção audiovisual, editam e divulgam vídeos oferecendo toda sua diversidade de locações. Assim, marcam presença em mercados internacionais com estandes repletos de material gráfico, convidando os produtores do mundo todo a irem lá realizar suas produções.

“Enquanto isso, o Brasil, internacionalmente, ainda restringe seus esforços a apenas exportar nossa produção nacional, como se ambas estratégias não fossem perfeitamente complementares. E como se a aplicação de medidas e investimentos com intuito de aumentar a atratividade para projetos audiovisuais estrangeiros não fosse uma tendência mundial, posta em prática hoje em qualquer país desenvolvido”, explica André.

De acordo com um levantamento recente, as Film Commissions ativas no Brasil são as do Rio de Janeiro (RJ), São Paulo, Minas Gerais (estadual), Garibaldi (RS), Bento Gonçalves (RS) e Porto Alegre (RS).

“Entretanto, apesar dos percalços que o cinema nacional tem vivido nos últimos meses, como a crise na Ancine (Agência Nacional do Cinema), a exemplo, a perspectiva de crescimento é boa. Os serviços de streaming, como a Netflix e a Amazon Prime Video, têm voltado seus investimentos para o país pois enxergam no Brasil o potencial de vir a ser o segundo maior mercado de VOD (Vídeo sob demanda) do mundo, depois dos EUA. A Netflix, por exemplo, entende que é estratégico produzir localmente e por isso está em vários países”, revela André.

SecomMT
Produções brasileiros originais da Netflix: até 2020 a empresa norte-americana vai produzir 30 filmes e séries em diferentes locais pelo Brasil 

A propósito, Ted Sarandos, diretor global de conteúdo da Netflix, anunciou recentemente que, entre 2019 e 2020, a empresa norte-americana vai produzir 30 filmes e séries em diferentes locais espalhados pelo Brasil. Só no ano que vem, serão investidos R$ 350 milhões em produções originais brasileiras. Desde que começou a produzir conteúdo no Brasil, em 2016, a Netflix já gerou 40 mil empregos diretos e indiretos no País.  

A excelente notícia para o setor audiovisual brasileiro ganha ainda mais impacto devido ao momento delicado em que vive o setor audiovisual brasileiro. Resta agora a pergunta: Estariam todas as regiões do Brasil devidamente preparadas para recepcionar tantos projetos audiovisuais simultaneamente?

André Faria

Publicitário, formado pela Escola Superior de Propaganda e Marketing, hoje atua como diretor executivo da Rede Brasileira de Film Commissions, entidade que administra desde 2017, onde desde então pôde organizar painéis, workshops, cursos e consultorias sobre o assunto e representar as Film Commissions brasileiras em eventos internacionais. É André Faria o representante do Brasil na Latin American Film Commission Network, a rede latino-americana de Film Commissions.

Serviço

Assunto: Seminário Mato Grosso Film Commission

Local: Salão Nobre do Palácio da Instrução

Quando: Quinta-feira, dia 07 de novembro a partir das 15h30

Entrada franca, vagas limitadas, apenas 100 lugares por ordem de chegada

Informações: 65 3163-0240

Assessoria de Imprensa 65 98425-1443 (WhatsApp)

O Palácio da Instrução é um dos equipamentos culturais da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel). Está localizado na Rua Antônio Maria, 151, Centro de Cuiabá. O funcionamento ao público é de segunda a sexta, das 8h às 18h. Telefone: (65) 3613-9240/9230.

 

 

Inscrições para integrar Coral Municipal de Cuiabá encerram-se nesta sexta-feira (25)

A data da audição, que estava marcada para o dia 29, foi reagendada para dia 30 de outubro, às 14h, na Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo

 Da Redação

Encerra-se nesta sexta-feira (25) o período para que interessados em integrar o Coral Municipal de Cuiabá façam a inscrição. O procedimento é simples, basta preencher o formulário digital e encaminhar à Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo por e-mail. A audição, que estava marcada para o dia 29 de outubro, foi remarcada para o dia 30 de outubro, quarta-feira, às 14h na sede da Pasta, no Clube Feminino.

Atualmente com 45 membros, O Coral Municipal é orquestrado pelo maestro Carlos Taubaté e sua preparadora vocal, Iasmin Medeiros. Juntos, eles se apresentam em festas comemorativas do calendário da cidade, além de eventos em que são convidados para acompanhar a Camerata de Cordas.

“Uma das missões do coral é preservar a cultura cuiabana cantando músicas e ritmos regionais, mas também temos Música Popular Brasileira no repertório e estamos iniciando os ensaios de música erudita”, explica o maestro. Os ensaios acontecem no auditório da Palácio Alencastro, na Prefeitura de Cuiabá, às quartas e sextas, das 19h30 às 21h.

O próximo evento confirmado de apresentação do Coral é a tradicional Cantata de Natal, prevista para os dias 14 e 15 de dezembro, no Porto de Cuiabá. Para participar do coral não há limite de idade, devendo possuir no mínimo 18 anos. A participação é voluntária e é necessário ter conhecimento iniciante de técnica vocal. Para realizar sua inscrição, preencha a ficha anexa e encaminhe para o e-mail: alessandra.barbosa@cuiaba.mt.gov.br. Mais informações pelo telefone (65) 3617-1261.


Sesp-MT lança projeto de biblioteca compartilhada para incentivar a leitura

A iniciativa será lançada na próxima terça-feira (29.10), às 10h30, na sede da Secretaria

Luariany Bispo 

Em comemoração ao Dia Nacional do Livro, celebrado em 29 de outubro, a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) desenvolveu o projeto “Leitura Legal – Biblioteca Compartilhada”. A iniciativa será lançada na próxima terça-feira (29.10), às 10h30, na sede da Secretaria, com o objetivo de incentivar o hábito da leitura e o consumo sustentável.

O projeto contará com uma prateleira no hall de entrada da Sesp, que receberá livros de servidores em troca de outros que estarão disponíveis. A ideia é não deixar o armário vazio para que a iniciativa tenha continuidade, proporcionando assim a troca solidária do conhecimento.

“A Leitura Legal ajuda a despertar e incentivar o interesse pelos livros, facilitando o acesso e contribuindo com o desenvolvimento pessoal”, ressalta o coordenador do Escritório Diretivo de Projetos Especiais (EDPE) da Sesp, coronel PM Marcos Hubner.

A iniciativa é desenvolvida pelo EDPE, em parceria com a Superintendência de Gestão de Pessoas. “O projeto facilitará o acesso à cultura, contribuindo com o desenvolvimento pessoal dos servidores e da instituição. A reflexão e a construção conhecimento provocadas pelo compartilhamento de livros influenciarão na qualidade de vida dos servidores”, frisa o superintendente de Gestão de Pessoas, Diogo Rocha.

Os interessados em participar do projeto podem levar os livros até a estante da Leitura Legal, no hall de entrada da Secretaria.(Sob supervisão da jornalista Nara Assis)


A origem da capoeira e as diferentes formas de manifestação do Rio de Janeiro e em São Paulo no século XIX

RAFAELA DALLA VECHIA

O presente trabalho tem como tema a origem da capoeira, se africana ou brasileira.
Faz também uma comparação entre a capoeira do Rio de Janeiro e de São Paulo do século
XIX, como a capoeira surgiu e as diferentes formas em que se manifestou, bem como o
tipo de tratamento que os capoeiras receberam nessas duas cidades.
As questões que nortearam este trabalho foram:
 Qual a origem da capoeira?
 A capoeira veio da África ou nasceu no Brasil?
 A capoeira surgiu primeiramente em ambiente rural ou urbano?
 Existem outras lutas semelhantes a capoeira pela América?
 Como os capoeiras na cidade do Rio de Janeiro e em São Paulo no século XIX
eram tratados?
Ter conhecimento da história da capoeira e sua origem permite ao praticante da
capoeira aprofundar na sua arte. Há muita filosofia na capoeira que vai além do jogo de
pernada. Ao estudar a história fica notória a relação do capoeirista mandingueiro do século
XIX e do malandro brasileiro de hoje.Daí a importância de investigar o passado e
compreender melhor o presente.
De acordo com Carlos Eugênio Líbano Soares, um dos principais pesquisadores da
capoeira do século XIX, a pesquisa sobre esse tema no meio acadêmico é recente. Começou

4

na segunda metade do século XX. Outros dois importantes pesquisadores e que serão
utilizados neste trabalho são Pedro Figueiredo Alves da Cunha e Luiz Renato Vieira.
A metodologia para fundamentar este artigo foi a pesquisa bibliográfica. Foi feito a
leitura e análise de monografias de mestrado, teses de doutorado e pós-doutorado publicadas
e artigos científicos divulgados no meio eletrônico.
O artigo inicia abordando sobre a origem da capoeira. Depois traz breve
esclarecimento sobre a diáspora no Brasil. Segue fazendo uma comparação do tratamento
que os capoeiristas recebiam no Rio de Janeiro e em São Paulo. E finaliza com a inserção da
capoeira como crime no Código Penal brasileiro em 1890.

Desenvolvimento

Existe uma enorme curiosidade entre os admiradores da Capoeira em conhecer sua
origem. E a figura do estudioso-jogador se torna mais presente no meio da “capoeiragem”.
Esta cultura popular praticada inicialmente entre os negros africanos escravizados
no Brasil colônia conquistou o mundo e atualmente está presente nos “cinco continentes,
uma vez que as rodas de capoeira estão difundidas em mais de 150 países” (Dossiê
IPHAN, 2014, p.13).
A Capoeira se desdobra em vários aspectos. Pode ser luta de defesa e ataque, uma
dança, um jogo, uma brincadeira. “A Capoeira virou depois do boxe, a modalidade de luta
não-oriental de maior projeção no ocidente.” (Vieira, 1998, p.2) Mas qual será a origem da
Capoeira? Veio da África ou nasceu no Brasil?
A Capoeira foi trazida com os africanos escravizados. Utilizando uma expressão de
Soares, a Capoeira foi gestada na África, porém nascida e criada no Brasil. “Na primeira
metade do século, a capoeira esta irremediavelmente ligada à condição escrava e a origem
africana.” (Soares, 1994, p.25) O pesquisador está se referindo ao século XIX, marcado
pelo terror da capoeira. Obrigando a capital da Colônia e depois o Império permanecerem
em vigilância.
De acordo com Soares, diversas lutas e danças africanas são muito semelhantes a
capoeira, são “primas”. A mais conhecida no meio dos capoeiristas é o n’Golo ou dança da
zebra, “praticada entre grupos da região de Mocupe e Mulondo, atual sul de Angola”.
Além dela, a bássula– “luta de pescadores da região de Luanda”. Cultivada entre os
quilenges há também o umudinhu. Os estudos indicam outras “danças marciais negras

5

semelhantes à capoeira, como a manioubombosade Cuba e alagyade Martinica para povos
de origem escrava do Caribe.” (Soares, 1994, p24).
Para conhecermos melhor a origem da capoeira é importante conhecer sobre a
diáspora africana no Brasil. Na tese de pós-doutorado do professor Carlos Eugênio Líbano
Soares sobre o cais do Valongo no Rio de Janeiro há dados surpreendentes sobre o número
de escravos que lá desembarcaram. Em 50 anos foram um milhão de africanos. Sendo este
o único desembarcadouro das Américas construído exclusivamente para receber os
escravos. Soares apresenta sua tese na palestra “Caminhos da memória”:

“Durante o período da diáspora, entre 1503 e 1862, 12 milhões de africanos foram
obrigados a abandonar sua nação. Na América chegaram 10 milhões, 2 milhões
morreram no caminho. A região que mais recebeu africanos nas Américas foi o
Caribe. O país, o Brasil, 4 milhões. De 1779 a 1831 durante o “tráfico legal” foram 2
milhões de africanos em todo o Rio de Janeiro. Sendo 30% dessa população
feminina. A faixa-etária em que eles eram trazidos, de 10 a 25 anos. Cerca de 95%
dos africanos que desembarcaram no Rio de Janeiro e Salvador não ficaram, foram
distribuídos para o restante do Brasil.”

Com relação a origem, se urbana ou rural, muitos estudiosos apontam como sendo
uma prática que se manifestou no meio urbano, devido ao contexto sócio cultural do
escravo africano. Há um mito entre os mestres antigos que ela surgiu aos arredores dos
engenhos nordestinos. De acordo com Vieira “não é conhecida nenhuma fonte
documentando a existência da capoeira no interior”. [...] “As primeiras referencias
consistentes provém do início do século XIX no Rio de Janeiro”. (Vieira, 1998, p.16)
Para conhecer a origem da capoeira, os historiadores investigaram em fontes
documentais diversas. Na historiografia, nas pinturas de Rugendas e Debret, no relato dos
mestres antigos, na história dos memorialistas, na literatura dos romancistas, nas crônicas,
nos registros policiais e jurídicos, nos ofícios e telegramas de origens diversas. Enfim, esta
arte “apresenta registros iconográficos e documentais desde o século 18” (Dossiê IPHAN,
2014, p.13).
As primeiras vezes em que apareceu o termo “capoeira” foram nos registros
policiais. O pesquisador Pedro Figueiredo Alves da Cunha faz referencia ao artigo “O
capoeira: a escravidão e suas contradições” de Nireu Oliveira Castro, nele é narrado a
história de um escravo chamado Adão “preso por capoeira em 1789 e punido com 500
açoites e dois anos de trabalho nas obras públicas” no Rio de Janeiro. (Cunha, 2013, p.15).
Inúmeras foram as prisões por “capoeira” no Rio de Janeiro do século XIX. A
maioria eram escravos e africanos. Com a vinda da família real para o Brasil e a criação da

6

Guarda Real de Polícia esta prática foi perseguida e severamente punida. “E o primeiro
registro de prisões do século é o códice 403.” (Soares, 2004, p.73)
No entanto, no período joanino (1808-1821) não havia apenas os conflitos entre
soldados e escravos, mas os próprios escravos brigavam muito entre si, o que mostra a
existência da diferença étnica e o estado de grande violência em que esses homens viviam.
Essa diferença cultural favorecia o trabalho dos “morcegos” como eram chamados os
policiais pelos negros. (Soares, 2004, p. 74 e 76)
Soares explica que Códices são ofícios e correspondências entre as autoridades
policiais da Corte, guardada em grandes livros e conservada no Arquivo Nacional. Neles
há informações sobre a criminalidade escrava no Rio de Janeiro na primeira metade do
século XIX. O Códice 403 era o que se referia aos escravos presos por capoeira. Por todo o
capítulo “De Malungos e N’Golos: Origens”, o pesquisador narra as histórias das prisões.
(Soares, 1994, p.7)
Já em São Paulo, de acordo com Cunha, há poucos registros de prisões por
Capoeira. No entanto, há uma legislação farta de orientações para repreender tal
manifestação. Por exemplo, o decreto aprovado pela Câmara em 14 de janeiro de 1833 e
promulgada pelo Conselho Geral de São Paulo em 1º de fevereiro, o pesquisador apresenta
um trecho retirado de um documento do Arquivo do estado de São Paulo (Cunha, 2013,
p.13):

Toda a pessoa, que nas Praças, ruas, casas publicas, ou em qualquer outro logar
também publico, praticar ou exercer o jogo denominado = de capoeiras = ou
qualquer outro genero de lucta, sendo livre será preza por tres dias, e pagará a
multa de um a tres mil reis, e sendo captiva será preza, e entregue ao seo Senhor,
para a fazer castigar na grade com 25 a 50 açoites, e quando o não faça soffrerá a
mesma multa de um a tres mil reis.

Há três questões importantes a serem observadas nesse documento quando
comparado ao que acontecia no Rio de Janeiro no mesmo período. A primeira é a
quantidade de açoites para punir o escravo, de 25 a 50. Enquanto que no Rio mais da
metade dos presos por Capoeira eram mandados para o Calabouço e recebiam a pena
máxima de 300 chibatadas (Soares, 2004, p.87). Além disso, podia ser enviados ao dique
da ilha das Cobras, submetidos a meses de trabalho forçado e isolados da vida na cidade.
(Soares, 1994, p.27 e 29)
A segunda, em São Paulo o escravo era entregue ao seu senhor para ser punido,
enquanto que no Rio ele era preso e castigado pela própria Guarda Real. Causando

7

prejuízo aos senhores que ficavam privados de suas propriedades. “Depois eram
devolvidos ou simplesmente soltos, se livres ou forros.” (Soares, 2004, p.88) E por último,
se o senhor não castigasse seu escravo seria multado. O que demonstra certa tolerância por
parte dos donos de escravos com a prática da Capoeira.
Outra questão interessante presente na história da Capoeira de oitocentos de São
Paulo, ela não era praticada só por negros e escravos. Antes mesmo de ser referida na
legislação, ela aparece documentada em 1829, “quando um professor de francês da recém-
formada Academia de Direito, foi repreendido por um aluno por jogar capoeira no chafariz
com um grupo de negros.” (Cunha, 2011, p.1)
Já na capital da Corte, a capoeira vai se tornar pratica de imigrante somente na
segunda metade do século XIX com a participação dos portugueses nas maltas. As maltas
foram grupos formados por três, vinte e até 100 capoeiristas que existiram desde as
primeiras décadas de 1800. “É a unidade fundamental da atuação dos praticantes da
capoeiragem.” (Soares, 1994, p.40)
Os Nagoas e os Guaiamus foram as maltas de capoeiras mais conhecidas nos
tempos da Corte. Os nagoas de tradição escrava, africana, remontam da virada do século
XVIII para o XIX. Os guaiamus tinham uma raiz nativa e mestiça, mais próximo aos
libertos e pardos, com atuação a partir dos meados do século XIX, “quando homens livres,
imigrantes portugueses, brancos pobres vindos do interior e crioulos” formavam a
população trabalhadora. (Soares, 1994, p.95)
As maltas foram extintas nas ultimas décadas de oitocentos com o temível, João
Batista Sampaio Ferraz, promotor da Corte e em 1889 ele é nomeado chefe de polícia do
Distrito Federal da recém proclamada República. Cavanhaque de Aço, como ficou
conhecido, deportou os capoeiras para a ilha de Fernando de Noronha, sem prazo para
voltar. (Soares, 1994, p.248)
Em 11 de outubro de 1890 a capoeira deixa de ser um delito e torna-se crime
previsto no Código Penal da República com o artigo “Dos vadios e capoeiras”. (Soares,
1994, p. 301). Somente em 1932 a capoeira é liberada pelo presidente Getúlio Vargas.
(p.302)

Conclusão

8

Conclui-se que a capoeira tem suas origens na diversidade étnica cultural africana,
mas na forma como existe no Brasil, a capoeira é brasileira. Há várias lutas e danças
semelhantes na América.
As fontes documentais comprovam que a capoeira se manifestou em ambiente
urbano entre os escravos africanos principalmente a partir do século XIX no Rio de Janeiro
e em São Paulo.
A grande diferença entre a capoeira do Rio de Janeiro e São Paulo existiu devido a
cidade do Rio do Janeiro ser a capital do Império e por isso a necessidade de maior rigor
com qualquer manifestação e ajuntamento de escravos. O temor de uma revolta assolava as
autoridades. Controlar a ordem com punições severas era a solução. Impondo medo e
terror nos africanos escravizados.


Cine Teatro recebe o 7° Festival Tudo Sobre Mulheres

Da Redação

A mostra competitiva do 7° Festival Tudo Sobre Mulheres - festival de cinema feminino - começa na segunda-feira (28.10), às 19h, no Cine Teatro Cuiabá. A cerimônia de abertura contará com Pocket Show de Paulo Monarco e Luisa Lamar, além da primeira exibição de curtas  e médias da mostra. Ao todo, são 31 filmes até 31 de outubro, no CineClube Coxiponés e no Cine Teatro Cuiabá. Entre as várias temáticas acerca do universo feminino, os filmes selecionados abordam questões importantes como a diversidade LGBTQ+, a diversidade de etnias, nacionalidades e características.  

No primeiro dia do evento, serão exibidos os seguintes filmes: curtas Diriti de Bdè Burè (doc., GO), Bodas (fic., RJ), Guaxuma (ani., BR-FR), La Flaca (Doc. USA-MEX.), Véu de Amani (Fic. DF), A Bolsa (Fic., SP) e Alfazema (Fic., RJ). Também haverá a Mostra Homenagem à Debora Ivanov, produtora executiva e ex-diretora da Ancine (Agência Nacional de Cinema). A programação contará com os filmes: “Querô”, “Que Horas Ela Volta?”, “Chega de Saudade”, “O Lobo Atrás da Porta”. Estes filmes, porém, serão exibidos no Cineclube Coxiponés, sempre às 14h, de 28 a 31 de outubro. A homenagem à Debora Ivanov será durante a cerimônia de encerramento do festival.

A premiação ocorrerá no dia 31 de outubro, às 19h. O júri do festival contará com a produtora Keiko Okamura, a roteirista e dramaturga Marithê Azevedo, a curadora e atual gestora do Sesc MT Fernanda Solon, o diretor de fotografia João Bertoli e o pesquisador e diretor do Festival de Cinema de Cuiabá Luiz Borges. Os jurados irão outorgar 08 prêmios: Melhor Filme, Melhor Filme Universitário, Melhor Filme de Estreia, Melhor Filme Região Conne, Melhor Filme Região Fames, Melhor Filme RJ/SP. Há também o prêmio Elo Company (com júri composto por representantes da própria empresa), que constitui a representação comercial do filme por 18 meses. O público também vota, e além dos prêmios das empresas parceiras (O2 Play, Coletivo C/As4tro, Academia Internacional de Cinema, Mistika Post e Elo Company), os premiados recebem reproduções da tela troféu “Maria Taquara Onírica”, da artista plástica Ruth Albernaz.

Nesta sétima edição do Tudo Sobre Mulheres as noites iniciarão com música, sempre às 19h, com pocket shows de Luisa Lamar, Paulo Monarco, CravoCanel, Laura Paschoalick, Jéssica Sabiá, Banda Coronela, Hendson Santana. O show de encerramento será com Estela Ceregatti, e participação especial do Coral Desvendar a Voz, do Sesc, com regência também de Estela Ceregatti..

Divulgação

Rodas de Conversa

As rodas de conversa já são parte da tradição do Tudo Sobre Mulheres, e este ano os temas serão: Protagonismo Feminino nas Artes (29/10, 16h), Gordofobia na Mídia e Audiovisual (30/10, 16h) e Roda de Conversa sobre o cenário audiovisual brasileiro com Debora Ivanov e Mulheres do Audiovisual Matogrossense (31/10, 9h).

Dia 30, às 18h, no foyer do Cine Teatro, acontece o lançamento do livro “Passagem Estreita”, de Divanize Carbonieri (Ed. Carlini e Caniato), e em seguida a última sessão da Mostra Competitiva, com exibição dos curtas: Entretantos (Exp., SP), Sob o Mesmo Teto (Doc., RJ), Duas em Um (Exp., MT), Peixe (Fic., MG), Marco (Fic., CE), Sexta Série (Fic., PE), Que Som Tem a Distância? (Doc., RS), Egrégora (Ani., SP), Beat é Protesto - O Funk Pela Ótica Feminista (Doc. SP).

No dia 31, às 16h, acontece o painel “Protagonismo Feminino na Política”, que contará com as presenças das políticas Manuela D´Àvila, deputada Estadual Janaina Riva, deputada federal Benedita da Silva e a deputada federal Rosa Neide Sandes. Após o painel, Manuela D´Àvila lançará e autografará seus livros “Revolução Laura” e “Por que Lutamos? - Um Livro Sobre Amor e Liberdade).

O Festival se consolida, a cada ano, como um instrumento de valorização, empoderamento e visibilidade das mulheres no audiovisual brasileiro, com o reconhecimento e a credibilidade de estar no calendário de eventos cinematográficos nacionais. O evento contará com presenças de artistas regionais e figuras do audiovisual nacional.

Em 2019, o Tudo Sobre Mulheres está sendo realizado de forma colaborativa e voluntária, e para se tornar possível, contamos com muitos apoios, parcerias, entre elas a da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel). A realização é da Cumbaru Produções Artísticas, e temos patrocínio do Shopping Estação Cuiabá, além dos apoios: Aline Wendpap Assessoria, Genius Publicidade, Môlera Filmes, Assembleia Social (AL), Ana Bugs, Cineclube Coxiponès, Fato Educacional, BPW Brasil, Cafeína Conteúdos Inteligentes, Carlini e Caniato Editorial, Portal Rosa Choque, Pequi com Câmera, Kinin, MTO Produções, Procev, Cult Conteúdos Inteligentes, Donna Car, Cena Onze, Cine Teatro Cuiabá, Jornal O Estado de Mato Grosso, Bell Som e Luz, Rádio Cultura FM, Canal Brasil e Mídia Ninja. Os apoios gastronômicos são: Armazém Mamur, Natural Club, Galeto Cuiabano, Talavera, Pé de Picolé, Choppão, Raposa Vegana e Quintal da Domingas (Associação Cultural Flor Ribeirinha).

Serviço

7º Tudo Sobre Mulheres

21 a 25 - Oficinas (Cine Clube Coxipones)

28 a 31 - Mostras de Filmes, Rodas de Conversa, Painel e Lançamentos Literários (Cine Teatro Cuiabá)

Mais informações: www.tudosobremulheres.com, @festivaltsm, comunicacaotsm@gmail.com

 

 

INTERNACIONAL: Em Pequim, ministro Osmar Terra negocia intercâmbio Brasil-China no setor audiovisual

Meta é implantar sistema de coprodução de conteúdos audiovisuais para cinema, rádio e televisão, com intercâmbio de profissionais. Também está prevista a veiculação de conteúdo chinês na tevê brasileira e vice-versa

*Por Jéssica Barz

Em viagem oficial à China, o ministro da Cidadania, Osmar Terra, negociou, nesta quarta-feira (23), em Pequim, dois acordos de cooperação no setor audiovisual. A ideia é promover a interação entre os dois países por meio de um sistema de coprodução de conteúdos audiovisuais para cinema, rádio e televisão, com um intercâmbio de profissionais. Também está prevista a criação de um canal chinês na televisão brasileira fechada, para reprodução de material audiovisual, como documentários, longas-metragens e telenovelas. E, em contrapartida, a China Media Group passaria produções brasileiras na sua programação.

“O governo federal está se empenhando em projetos audiovisuais e o mercado chinês nos interessa muito, devido às suas grandes produções e também pelo seu avanço tecnológico”, destacou o ministro Osmar Terra. “Queremos que o povo brasileiro tenha acesso à arte chinesa e possa conhecer mais a China, na sua cultura, desenvolvimento e beleza. Além de estimular a economia criativa, fomenta o turismo e a cultura entre os nossos povos”, ressaltou o ministro, que se reuniu com o vice-ministro da administração Nacional de Rádio e Televisão da China, Fan Weiping, e com o presidente da maior empresa de comunicação estatal do mundo – China Media Group (CMG), Shen Haixiong.

Para o presidente do CMG, essa cooperação com o Brasil pode abrir um novo cenário para a sociedade chinesa por meio do audiovisual. “A cultura tem grande influência na sociedade e o Brasil é um país muito rico, que temos total interesse em conhecer melhor. A China é o maior parceiro comercial do Brasil e temos muito espaço para promover essa cooperação”, afirmou Shen Haishiong.

Desenvolvimento humano

A área do desenvolvimento social foi tema das reuniões com os ministros de Assuntos Civis, Huang Shuxian, e de Recursos Humanos e Segurança Social, Zhang Jinan. Osmar Terra explicou às autoridades chinesas que o Brasil tem muitos programas de transferência de renda, como o Bolsa Família. O ministro afirmou que essas ações são importantes, mas não reduzem a pobreza, e a aposta do governo Bolsonaro é em programas de desenvolvimento humano. O Programa Criança Feliz, por exemplo, já é reconhecido mundialmente pela sua eficácia e peculiaridade de serviço prestado.

“Nós queremos ampliar o Criança Feliz e passar de um milhão para três milhões de crianças atendidas. Sabemos que a China, pelo seu tamanho, tem problemas em escala maior, no entanto, tem soluções proporcionais e queremos aprender com eles e trocar experiências para aprimorar o que temos e, também, criar novos serviços”, explicou Terra.

A China possui um grupo específico de trabalho voltado ao bem-estar das crianças, que somam 240 milhões (até 18 anos). O ministro de Assuntos Civis, Huang Shuxian, apresentou alguns dos programas oferecidos pela pasta, tais como apoio a crianças órfãs, que contam com instalações e um fundo para manter as despesas básicas, a fim de não entrarem para a estatística da pobreza, e apoio a crianças abandonadas, visto que a migração na China é crescente e os pais saem do país e não levam seus filhos consigo. Também foi abordado um programa para fomentar a adoção.

Osmar Terra sugeriu a criação de um grupo de trabalho entre os dois ministérios voltado ao intercâmbio de profissionais. O objetivo é que representantes de um país possa conhecer in loco experiências bem-sucedidas do outro e vice-versa. Também foi debatido um acordo de cooperação entre o Ministério da Cidadania e o Ministério de Recursos Humanos e Segurança Social da China sobre qualificação e capacitação de jovens para ingressar no mercado de trabalho.

O Brasil conta com quatro milhões de jovens que não trabalham e não estudam, os chamados nem-nem. Um dos objetivos do encontro com o ministro Zhang Jhian foi trocar informações sobre como a China trata seu público jovem e a questão do desemprego. Jhian explicou que a principal ferramenta são os cursos técnicos e de capacitação, que já apresentam resultados. Atualmente o país tem taxa de desemprego de 5,5%.

Um intercâmbio de especialistas brasileiros e chineses foi proposto e aceito em comum acordo entre os dois lados. “O Governo Federal reconhece a importância da China e todo o seu potencial, por isso esses encontros são fundamentais. Tenho certeza que teremos muitos frutos para a sociedade brasileira, tratando desde a primeira infância até o público idoso”, afirmou o ministro Osmar Terra.

A previsão é que os acordos negociados durante a viagem do ministro Osmar Terra sejam oficializados no dia 12 de novembro, quando o presidente chinês, Xi Jiping, vem ao Brasil para a reunião de cúpula dos Brics, bloco político-econômico que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

 

*Assessoria de Comunicação
Ministério da Cidadania


Rasqueia Cuiabá e Amigos Banda Show se apresentam na Praça Cultural do CPA II

O projeto foi aprovado em edital FUNDO/2019 na categoria música e é sempre realizado de forma gratuita

 NAIARA LEONOR

Nesta quinta-feira (24), o projeto “Rua do Rasqueado” completa nove encontros na Praça Cultural do CPA II. Na programação as apresentações musicais de Guapo e banda, Rasqueia Cuiabá, Gilmar Fonseca e Hamilton Arruda e Amigos Banda Show no horário de sempre, das 18h às 22h, com entrada gratuita.

A “Rua do Rasqueado – Cuiabá 300 anos” foi aprovada em edital FUNDO/2019 na categoria música. O projeto conta com 12 eventos, sempre às quintas-feiras, que serão distribuídos em praças pelo Centro Histórico de Cuiabá e também por bairros de Cuiabá, sempre gratuitos.

O evento é dividido em blocos de lambadinha, lambadão, rasqueado. O evento também conta com quadro de Clássicos Mundiais, que de acordo com Guapo, é um momento das canções e artistas que marcaram época, como Beatles, Frank Sinatra entre outros.

A banda Scort Som foi a convidada para abrir o projeto no dia 22 de agosto, mas a cada quinta-feira a programação se faz nova e abre-se espaço para novos e consagrados talentos da música autoral em Cuiabá. A pista de dança se deslocou pela primeira vez no dia 26 de agosto, do Centro Histórico para o quintal da Dona Matilde, no Parque Ohara e depois para o bairro Novo Terceiro, São Francisco e CPA I. Agora o rasqueado chega a Praça Cultural do CPA II.

Passando da metade dos encontros programados para o projeto este ano, já subiram ao palco da Rua do Rasqueado artistas como Roberto Lucialdo, Eduardinho Mistura, Mega Boys, Marlon França, Cleonir, João Eloy, banda Loop, banda Signos, banda Real Som, banda Ellus, Dito Saca rolha, além de Guapo e banda e os artistas Régis Gomes, Halbina dos Santos.

O projeto “Rua do Rasqueado” foi o primeiro dentre os 51 projetos aprovados no edital FUNDO/2019 a ser executado. O cronograma de desembolso é tratado como prioridade pela Secretaria de Cultura e também pela Secretaria de Fazenda, por determinação do prefeito Emanuel Pinheiro. Ele segue até novembro, totalizando R$ 2,1 milhões em investimento em cultura na capital mato-grossense.

SERVIÇO 

O que: 9º encontro da Rua do Rasqueado

Quando: quinta-feira (24), das 18h às 22h

Onde: Praça Cultural do CPA II

Evento gratuito

 

COOPERAÇÃO: Brasil firma parceria com República Dominicana na área de direitos autorais

Memorando de Entendimento firmado entre os países irá aprofundar a cooperação, o compartilhamento de boas práticas e a implementação de ações de capacitação e formação

Assessoria

A cooperação na área de direitos autorais entre o Brasil e a República Dominicana foi ampliada na manhã desta quarta-feira (23). Os países assinaram um Memorando de Entendimento com foco na troca de experiências, na capacitação e na formação de funcionários. De um lado da parceria, está a Secretaria de Direitos Autorais e Propriedade Intelectual (Sdapi) do Ministério da Cidadania e, do outro, o Escritório Nacional de Direitos de Autor do País parceiro. O memorando foi assinado em Genebra, na Suíça, onde o Brasil é representado pelo secretário de Direitos Autorais, Maurício Braga.

O representante do governo federal participa da 39ª Sessão do Comitê Permanente de Direitos de Autor e Direitos Conexos, realizado pela Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI), vinculada à ONU. Segundo Maurício Braga, o Brasil só tem a ganhar com o memorando firmado, durante o evento, com a República Dominicana. “A República Dominicana tem avanços significativos na área do direito autoral, assim como também o Brasil. E é aí que reside a troca, em nós passarmos para eles aquilo em que estamos mais adiantados e recebermos deles o mesmo tratamento. Esse é um instrumento que não gera nenhum ônus, para nenhum dos dois países, ele só traz benefícios, pois a troca de informações, de capacitação, vai ser extremamente benéfica, além de ser uma pauta absolutamente positiva para o Ministério da Cidadania e para a Secretaria Especial de Cultura”, afirmou.

De acordo com o diretor do Escritório de Direitos de Autor da República Dominicana, Trajano Santana, o acordo também pode auxiliar no fortalecimento dos direitos autorais de toda a América Latina. “Nós estamos somando, voluntariamente, nossos esforços para seguir fortalecendo a região da América Latina. Os direitos de autor são importantes para a preservação da cultura e para a manutenção dos valores tradicionais de nossos povos, assim como o fortalecimento econômico de nossos países. Além disso, também irá auxiliar para que se possa impulsionar a gestão dos direitos de autor na América Latina”, concluiu.

Treinamento, investigação e arbitragem

Em termos da infraestrutura das instituições que zelam pelos direitos autorais, a República Dominicana apresenta diversos avanços em relação ao Brasil. Dentre as instituições já implementadas pelo escritório na República Dominicana, estão o Centro Acadêmico de Treinamento e Desenvolvimento em Direitos de Autor e Conexos, que capacita os funcionários neste tema, o Centro de Conciliação, Mediação e Arbitragem, além de um Departamento de Investigação e Perícia, que fornece assistência técnica especializada para investigações do Ministério Público relacionadas ao plágio e à pirataria.

Outro avanço é a Unidade de Assistência Jurídica, que auxilia autores, intérpretes, usuários, estudantes, empresários e a sociedade como um todo nos procedimentos legais relacionados aos direitos de autor e direitos conexos. Recentemente, ainda foi lançada uma plataforma online para permitir que os autores registrarem suas obras.

Neste sentido, a experiência da República Dominicana pode auxiliar o Brasil, já que uma das prioridades da Sdapi é unificar o sistema de registro, por meio de um sistema eletrônico. Além disso, também está sendo avaliada a implantação de uma câmara de mediação e arbitragem, além da crescente divulgação e disseminação de boas práticas relacionadas aos direitos autorais, como uma forma de combate à pirataria.

Por outro lado, o Brasil é um dos países que tem uma das legislações mais completas e atualizadas em relação à fiscalização e à habilitação de associações de gestão coletiva. Além disso, tem avançado em relação à regulação dos direitos autorais no ambiente digital, em razão da nova proposta de lei que irá regular os direitos autorais e que pode, neste sentido, contribuir significativamente com os trabalhos do escritório da República Dominicana.

Histórico

As negociações para a assinatura do memorando tiveram início durante a Reunião Regional de Chefes ou Diretores dos Escritórios de Direitos de Autor da América Latina, realizada entre 1 e 3 de julho de 2019, em Santo Domingo, na República Dominicana, também organizada pela OMPI.

Vinculada ao Ministério da Cidadania, a Secretaria de Direitos Autorais e Propriedade Intelectual, atua de forma equivalente e com competências similares aos escritórios de direitos autorais dos demais países da América Latina, sendo o órgão congênere ao Escritório Nacional de Direitos de Autor da República Dominicana.

Direitos Autorais

O direito autoral diz respeito às normas estabelecidas pela legislação para proteger as relações entre o criador e a utilização de suas obras, sejam elas artísticas, literárias ou científicas, como textos, livros, pinturas, músicas, ilustrações, fotografias e obras audiovisuais. No Brasil, esse direito está assegurado pelo artigo 5º da Constituição Federal e pela Lei de Direitos Autorais.

Criada em 1998, ou seja, há 21 anos, a Lei de Direitos Autorais brasileira foi alterada apenas uma vez. Atualmente, o Ministério da Cidadania, por meio da Sdapi, trabalha na criação de um novo marco regulatório que também trate sobre os direitos autorais no ambiente virtual e que considere os impactos que novas tecnologias e modelos de negócios, como os serviços de streaming de música, livros, filmes e seriados, as plataformas de compartilhamento de conteúdo, a inteligência artificial, a impressão em 3D e a realidade virtual trazem para o tema.

O Comitê Permanente de Direitos de Autor e Direitos Conexos foi criado no biênio de 1998/99 com a finalidade de examinar questões legislativas ou de harmonização no campo dos direitos autorais e direitos conexos. As sessões do SCCR são realizadas duas vezes ao ano. Desde que o comitê foi criado, a delegação brasileira toma parte nas discussões.


Jovens instrumentistas participam do Ciclo CirandaMundo MasterClass

De maneira gratuita, as atividades garantem aulas de violino, viola, violoncelo e regência para músicos iniciados
 
com renomados instrumentistas de prestígio internacional

Protásio de Morai

Dois dias inteiramente dedicados à música transformam o Palácio da Instrução em um grande conservatório, com direito a formação e apresentação com experientes instrumentistas vindos de várias partes do mundo. Realizado pelo Instituto Ciranda, o Ciclo CirandaMundo MasterClass, que ocorre nesta segunda-feira e terça-feira (21 e 22.10), oferece, gratuitamente, aulas de violino, viola, violoncelo e regência à mais de trinta jovens instrumentistas.

Entre os professores estão a canadense Verónique Mathieu, responsável pelas aulas de violino; Shah Sadikov, do Uzbequistão, responsável pelas aulas de regência e viola; e o paulista William Teixeira, professor de violoncelo.

Tchélo Figueiredo

“São três importantes instrumentistas reconhecidos internacionalmente que chegam em Cuiabá com um único intuito, compartilhar conhecimentos. Esse primeiro ciclo foi pensado especificamente para as sessões de cordas e regência. Para os estudantes, a atividade traz um grande aprendizado, com olhares muito competentes e novas e importantes perspectivas”, aponta Yndira Vilarroel, coordenadora pedagógica do Instituto Ciranda.

Para a violinista canadense Verónique Mathieu, as atividades desses dois dias de estudos no Palácio da Instrução trazem ganhos artísticos, tanto para os jovens instrumentistas, quanto para os professores envolvidos.   

“São atividades com significados muito profundos, tanto para os alunos quanto para nós professores. Por um lado, os alunos podem ter aulas com diversos artistas ao mesmo tempo, o que significa eles terem vários pontos de vista sobre a música. E para nós, professores, é uma experiência muito importante porque vamos poder tocar com músicos de Cuiabá, como é o caso da Jessica Gubert, do clarinete e da Yndira Vilarroel, do violino. Além de poder tocar música de compositores brasileiros, é claro. Um deles, Roberto Victorio, aqui de Cuiabá, que estará presente no concerto de amanhã. Uma bela oportunidade para todos os envolvidos”, garante Verónique.

Tchélo Figueiredo

Para a jovem violinista Kamilly Matos, 17 anos, que veio de Rondonópolis exclusivamente para participar da masterclass com Verónique, essa está sendo uma oportunidade única de aprendizado.

“O contato com outros instrumentistas do mundo vai acrescentar muito a nossas vidas, não só no violino, mas em todos os aspectos da vida. Gostaria de agradecer muito ao Instituto Ciranda, que despertou essa vocação em mim e em outros colegas meus. Com a chegada do Ciranda em Rondonópolis passei a ter acesso a esse tipo de atividades, despertando em mim o gosto pela música de orquestra”, explica Kamilly.

Concerto de encerramento

O Ciclo CirandaMundo MasterClass encerra nesta terça-feira (22.10), às 20h, no Palácio da Insturção, com um concerto especial aberto ao público, que traz no repertório, peças de W. A. Mozart, J. S. Bach, Roberto Victorio e Silvio Ferraz. Para as apresentações, além dos professores convidados, o concerto contará ainda com a violinista venezuelana Yndira Villarroel, a clarinetista Jessica Gubert e o compositor Roberto Victorio.

Para o concerto, várias formações, quintetos, quartetos e orquestra de câmara com a participação dos professores. “É um privilégio muito grande poder prestigiar profissionais tão importantes para a música de concerto. Estou muito feliz”, comemora Yndira Villarroel.

O Instituto Ciranda - Música e Cidadania é um dos 32 Pontos de Cultura apoiados pelo Governo de Mato Grosso via Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer.

Serviço

Ciclo CirandaMundo MasterClass

Onde: Palácio da Instrução

Quando: Dias 21 e 22 de outubro (segunda-feira e terça-feira), das 8h às 18h. O concerto ocorrerá dia 22 de outubro a partir das 20h

Entrada Franca

Outras informações: (65) 3623-1239

Assessoria de Imprensa: WhatsApp (65) 98425-1443

O Palácio da Instrução é um dos equipamentos culturais da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT). Está localizado na Rua Antônio Maria, 151, Centro de Cuiabá. O funcionamento ao público é de segunda a sexta, das 8h às 18h. Mais informações: (65) 3613-9240.


Ministério da Cidadania incentiva criatividade de jovens de todo o Brasil

Por meio do edital #amorpeloBrasil, cerca de R$ 2 milhões em prêmios serão distribuídos para mais de 350 vídeos. Ideia é revelar talentos por trás da câmera do celular

Assessoria

Luz, câmera, ação! Chegou a hora de jovens de todo o País entrarem em cena para mostrar o seu produto audiovisual. O edital #amorpeloBrasil vai premiar 351 vídeos produzidos com celular por jovens de 12 a 18 anos de todos os estados do Brasil e do Distrito Federal. A principal regra é: os vídeos inscritos devem contar histórias de iniciativas que contribuam para a melhoria da qualidade de vida da sociedade – seja em casa, na escola, na comunidade. As premiações variam entre R$ 3 mil e R$ 20 mil. No total, serão mais de R$ 2 milhões destinados aos vencedores. As inscrições podem ser feitas até o dia 12 de novembro no site do edital.

A produtora cultural Roberta Bandeira, de 22 anos, apoia a iniciativa. Ainda na adolescência, ela começou a produzir vídeos de forma amadora, com as colegas. Atualmente, Roberta cursa Produção Cultural na Universidade Federal do Rio de Janeiro, no campus de Nilópolis, e já trabalha na produção de séries e filmes. Segundo ela, esse tipo de premiação é extremamente importante para incentivar um possível início de carreira na área. “A gente tem as ideias mas, às vezes, é preciso algo a mais para apoiar, pois nem sempre temos recursos. Então, é sempre bom ter essas iniciativas para incentivar a galera mesmo”, comenta.

O prêmio foi idealizado pela Secretaria do Audiovisual (SAv) do Ministério da Cidadania para encorajar os jovens a exercitar sua criatividade. O secretário do Audiovisual, Ricardo Rihan, aponta que nesta faixa etária os jovens são muito criativos e o prêmio tem o objetivo de estimular, reconhecer e premiar estes talentos. O secretário ainda destaca que as condições atuais são bastante propícias para a produção. “O diretor Glauber Rocha dizia que, para se fazer cinema, bastava ter uma ideia na cabeça e uma câmera na mão. Hoje, basta ter uma ideia na cabeça e um celular na mão”, conclui.

Inscrições

Podem ser inscritas quaisquer obras audiovisuais gravadas em celular e publicadas em plataformas digitais gratuitas e de livre acesso durante a vigência do prêmio, ou seja, até o dia 12 de novembro. Os vídeos devem abordar temas relacionados à promoção da cidadania. Ou seja, qualquer atitude positiva dentro de casa, na escola ou no bairro, é válida.

Roberta tem um bom exemplo. De acordo com a estudante, as casas ao redor da universidade onde estuda são simples, com alguns muros e fachadas sem reparos. Então, no ano passado, ela e outros alunos decidiram botar a mão na massa e fazer algo para melhorar o ambiente. Foi assim que nasceu o “Colore a Rua”.

Com uma pequena ajuda financeira da faculdade, eles organizaram um mutirão, em dois sábados, para revitalizar os muros das residências. Antes, perguntaram aos moradores quem gostaria de participar. A maior parte logo topou e os que estavam indecisos também aderiram ao movimento, depois de ver os primeiros muros pintados.

Segundo a estudante, os resultados foram muito positivos. “Com esta ação as pessoas passaram a sentir orgulho do território em que elas estão, né? Elas vão cuidar daquele espaço de forma diferente. Muitas vezes, elas não estão enxergando a potência daquele lugar, mas quando estão juntas, podem mudar esta percepção. É algo que vai crescendo mesmo, no dia-a-dia. Somos nós, os cidadãos, fazendo a mudança”, conclui.


Ministério da Cidadania e Unesco discutem cooperações na cultura

Encontro tratou de cooperações técnicas especializadas para políticas públicas na área da Cultura.

Assessoria

O secretário especial da Cultura do Ministério da Cidadania, Ricardo Braga, recebeu nesta quinta-feira (26) a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil, Marlova Noleto, para tratar de cooperações técnicas especializadas para políticas públicas na área da Cultura.

Durante o encontro, foram destacadas ações com foco nas áreas de economia criativa e parcerias com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), ambos vinculados ao Ministério da Cidadania, com o intuito de olhar a cultura como agente de desenvolvimento social.

Para Marlova Noleto, o Ministério da Cidadania está cada vez mais próximo às áreas de atuação da agência, como as Ciências Humanas e Sociais e a Cultura. “O ministro Osmar Terra tem dado cada vez mais a diretriz de trabalhar com os municípios, descentralizando ações, e a Unesco tem tido muito prazer em poder apoiar essa cooperação com expertise”, destacou.

Também estavam presentes ao encontro o secretário adjunto da Cultura do Ministério da Cidadania, José Paulo Soares Martins, a coordenadora de Cultura da Unesco no Brasil, Isabel de Paula, o chefe substituto da Assessoria Especial de Assuntos Internacionais do Ministério da Cidadania, Leandro Gomes Cardoso, o coordenador da área de Difusão Cultural, Eduardo Coelho, o diretor de Cooperação Técnica do Ministério da Cidadania, Edward Borba, e a diretora adjunta, Margareth Cristina de Almeida Gomes.

 


Prefeitura fará contratação emergencial para restauração da Casa de Bem Bem

O procedimento deve ter início já na próxima semana

 

ANDRÉ GARCIA SANTANA 

 

A Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo contratará de forma emergencial uma empresa para fazer a restauração da Casa de Bem-Bem. A decisão foi aprovada na manhã desta quarta-feira (5), durante reunião do titular da Pasta, Francisco Vuolo, com representantes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). O processo deve ter início na próxima semana.

Recentemente, uma nota técnica do Instituto atestou a existência de um novo desabamento no anexo da edificação, que não suportou a ação das chuvas contínuas que vêm atingindo a Capital nas últimas semanas. Diante da situação, Vuolo reforça que os projetos para a recuperação do casarão já foram consentidos e que, assim que finalizados os trâmites burocráticos, será divulgado um cronograma de ações no local.

“Estamos acompanhando toda a situação de perto e cumprindo todas as recomendações do Iphan e do Ministério Público. Também já garantimos a segurança do local e convidamos o  grupo de arquitetos responsável pelo primeiro projeto de restauração da Casa para colaborarem conosco”, explica o secretário. Na próxima semana, ele volta a se reunir com o órgão, para dar andamento ao trabalho.


Projeto de Lei do Mecenato Cultural é aberto para consulta pública

Da Redação

A Secretaria de Estado de Cultura (SEC), em parceria com o Conselho Estadual de Cultura e Fórum Permanente de Cultura, abriu consulta pública para contribuição da sociedade civil ao projeto de lei de incentivo fiscal ao mecenato cultural. O formulário da consulta pública foi preparado para receber comentários a cada parágrafo da minuta de lei e ficará aberto para contribuições até as 18 horas, do dia 18 de dezembro.

A Lei do Mecenato Cultural é um anseio dos segmentos culturais e visa ampliar as possibilidades de financiamento de projetos e atividades continuadas na área artística e cultural pelo empresariado mato-grossense. Para o setor privado será uma oportunidade de fortalecer sua responsabilidade social e vincular sua marca a projetos de grande impacto social e artístico. 

De acordo com a minuta do projeto de lei, o fomento será realizado por meio de incentivo fiscal de ICMS para projetos de natureza cultural.  A minuta prevê ainda que a SEC deverá coordenar as atividades do mecenato cultural  e que as diretrizes da política cultural e normas para habilitação e contratação dos projetos sejam estabelecidas pelo Conselho Estadual de Cultura. Pessoas físicas e jurídicas, e pessoas jurídicas públicas da administração direta e indireta, como as prefeituras, poderão captar os recursos junto ao empresariado.

Durante a IV Conferência Estadual de Cultura, realizada no último fim de semana, a minuta de lei foi entregue ao maestro Fabrício Carvalho, representante da equipe de transição, para que o novo Governo faça o encaminhamento à Assembleia Legislativa no próximo ano.


Antônio Horácio da Silva Neto lança o livro “Escritos Associativos”

Da Redação

O juiz aposentado e advogado Antônio Horário Antônio Horácio da Silva Neto lançou hoje (04), o livro “Escritos Associativos” em comemoração aos 50 anos da Associação Mato-grossense de Magistrados (Amam). O livro é uma coletânea de artigos publicados no Jornal A Gazeta.

O lançamento faz parte da programação do III Encontro dos Magistrados Aposentados do Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso, no auditório Espaço Justiça, Cultura e Arte Desembargador Gervásio Leite, na sede do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), em Cuiabá.

O evento visa valorizar e promover a integração dos magistrados aposentados e aqueles que se encontram na ativa. 

Antônio Horário nasceu em Manaus/AM, aos 15 de fevereiro de 1969. Formado em Direito pela Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro (1990), foi aprovado em concursos de provas e títulos para os cargos de Promotor de Justiça do Ministério Público do Estado de Rondônia (1991/1996) e de Magistrado do Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso (1996/2012).

Na Promotoria de Justiça exerceu suas funções nas Comarcas de Cerejeiras/RO, Colorado do Oeste/RO, Vilhena/RO, Pimenta Bueno/RO e Cacoal/RO.

Na magistratura mato-grossense exerceu os cargos de Juiz Substituto na Comarca de Barra do Garças/MT, Juiz de Direito nas Comarcas de Dom Aquino/MT, Jaciara/MT, Primavera do Leste/MT, Poxoréo/MT, Rondonópolis/MT, Várzea Grande/MT e Cuiabá/MT, Juiz de Direito Substituto de Segundo Grau no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Juiz

Auxiliar da Presidência do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (2003/2005), Juiz Auxiliar da Corregedoria-Geral da Justiça do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (2006) e Juiz do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso na categoria Juiz de Direito (2008/2009).

Membro da Academia Mato-grossense de Magistrados (AMA-MT) e exerceu o magistério na Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Centro de Ensino Superior de Rondonópolis (Cesur), Universidade de Cuiabá (Unic) e a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT).

Presidiu a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), (2004/2005), a Academia Mato-grossense de Magistrados (AMA-MT), (2009/2010) e a Associação Mato-grossense de Magistrados (Amam), (2007/2009).


Itaú Cultural abre exposição sobre seis séculos de arte em gravura

Por Flávia Albuquerque

A exposição Imagens Impressas: um Percurso Histórico pelas Gravuras da Coleção Itaú Cultural pode ser visitada até 17 de fevereiro no Itaú Cultural, na Avenida Paulista, em São Paulo. São 453 gravuras que mostram, de forma didática, seis séculos da produção gráfica europeia. A entrada é gratuita.

Segundo a curadoria, as obras revelam as diferentes técnicas usadas pelos artistas do século 15 ao 20, sendo um recorte representativo, pela diversidade de técnicas, temas e destinações das gravuras. “Esta seleção permite pensar na linguagem gráfica e em outros caminhos de leitura e interesse ao longo desse instigante empreendimento que foi a produção de imagens impressas”, disse o curador da mostra, Marcos Moraes.

Antes de chegar a São Paulo, a mostra passou pelas cidades de Santos, Curitiba, Fortaleza, Rio de Janeiro, Ribeirão Preto, Brasília e Florianópolis. Em São Paulo, apresenta ainda uma litogravura de Pablo Picasso, de 1949, recém-adquirida para a coleção e ainda não exibida ao público, batizada de David et Bethsabée. A exposição terá ainda a  xilogravura The Grils on the Bridge, 1918, de Edvard Munch, também recentemente incorporada ao acervo.

O acervo conta ainda com obras de Edouard Manet, Eugène Delacroix, Francisco Goya, Henri de Toulouse-Lautrec e Rembrandt van Rijn. A gravura mais antiga em exibição na mostra é Cristo Carregando Cruz, feita em 1475 por Martin Schongauer, um dos primeiros gravuristas de que se tem notícia. Vale ressaltar as ilustrações de Gustave Doré, no século XIX, para o livro A Divina Comédia, de Dante Alighieri.

O conjunto também tem obras do artista e caricaturista francês Honoré-Victorien Daumier, como Quelle Heurese Rencontre! Dele, há ainda o original de uma charge publicada no jornal Le Charivari, um dos principais veículos franceses no período.

Segundo Moraes, as primeiras imagens impressas datam do século 15 e são xilogravuras. A partir daí as técnicas são aprimoradas e surgem inovações como a linguagem gráfica, que levou a gravura à autonomia no século 19.
“A imagem impressa acompanha a humanidade desde os seus primórdios, e podemos remontar essa trajetória às primeiras mãos marcadas, por meio de pigmentos, nas paredes de grutas e cavernas”, afirmou o curador.


Ciranda de Crioula leva sarau, música e dança ao Misc

Encontro converge com exposição "Bença" e mês da Consciência Negra

 

ANDRÉ GARCIA SANTANA 

 

Em consonância com o mês da Consciência Negra o Museu de Arte e do Som de Cuiabá (Misc), recebe o 10º encontro do Ciranda de Crioula, no sábado (17). Poesia, música, samba de roda, umbigada e oficina de dança compõe a programação do evento, realizado em paralelo a exposição coletiva “Bença”, que reverencia o saber popular por meio do resgate de sabedorias transmitidas de geração a geração.

É o que explica uma das participantes do encontro e curadora da mostra, Paty Wolff. “A Ciranda é um evento que já ocorre há pelo menos três anos, com encontros periódicos. O evento foi crescendo e hoje reúne poesia e oficinais.Todos esses elementos estão em conversa com a exposição, por isso decidimos trazê-la de volta pra cá, reforçando toda essa proposta”, explica.

De acordo com a organização, o samba de roda é reconhecido como Patrimônio Imaterial pelo Instituto Histórico e Artístico Nacional - IPHAN e pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Sendo uma expressão musical, poética e festiva das mais importantes e significativas da cultura brasileira. 

Passada através de gerações, sobretudo através das mulheres para as crianças, a experiência primordial no samba proporciona bem-estar no corpo, na alma, em toda a nossa estrutura. Uma herança ancestral e cultural do povo negro, sua resistência aos padrões corporais hegemônicos e ainda um lugar em destaque à expressão do feminino.


Parque Das Águas recebe "Tangueiros In Concert" em show gratuito de tango

A Iniciativa democratiza o acesso a diferentes manifestações culturais

 ANDRÉ GARCIA SANTANA 

 Drama, paixão e sensualidade se misturam à trilha sonora do Parque das Águas no sábado (17). Na data, o trio Tangueiros in Concert apresenta um repertório refinado de tangos, que inclui desde os clássicos de salão até milongas e romanza. Ao longo show, promovido pela Prefeitura de Cuiabá, ganham destaque as composições do Maestro Astor Piazzolla, com as inovações do jazz.

De acordo com o secretário de Cultura, Esporte e Turismo, Francisco Vuolo, esta é uma maneira de democratizar o acesso a diferentes manifestações culturais. “Além de ser um ritmo reconhecido mundialmente, o estilo é diferente do que escutamos rotineiramente e tem tudo a ver com o clima contemplativo do parque”, diz.

Mesclando intensidade a elementos sonoros tipicamente latinos, o ritmo envolve os ouvintes e reúne apaixonados pelos quatro cantos do mundo. Sua origem deu-se na região do Rio da Prata, entre as cidades de Buenos Aires e Montevidéu. O tango é considerado Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.

Em Cuiabá, o show do Tangueiros In Concert fará um percurso pelos tangos mais conhecidos no Brasil, interpretando obras de Carlos Gardel até a grande revolução, liderada pelo já mencionado Astor Piazzolla.

O trio é composto pelo Regente e Pianista Pedro Henrique Calhao que será acompanhado pelos argentinos Martin Lima, no bandoneon e Facundo Estefanell Rochon, no contrabaixo acústico. Todos os artistas são profissionais com formação musical em instituições reconhecidas no Brasil e no exterior.

No domingo (18), eles se apresentam no Cine Teatro Cuiabá. Os ingressos custam R$40 para as inteiras e R$ 20 para meias e podem ser adquiridos por meio do site www.ingressosmt.com.br. De acordo com os artistas, às 18h haverá uma sessão beneficente para o Movimento Sacerdotal Mariano da Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, e às 20h sessão especial.


Movimento Cultural de Várzea Grande classifica projetos para o Prêmio Culturas Populares 2018

O objetivo é fortalecer as expressões culturais brasileiras, retomando práticas populares que difundam as expressões populares em suas comunidades.
 

A Associação das Manifestações Folclóricas de Mato Grosso – AMFMT e o Grupo de Dança Estrela Guia, ambos de Várzea Grande, estão entre os projetos selecionados ao Prêmio Culturas Populares 2018, promovido pelo Ministério da Cultura. O resultado final foi divulgado no dia 22 de outubro, no Diário Oficial da União.

Em todo país, foram 2.227 projetos avaliados por uma Comissão de Seleção do Ministério da Cultura, que analisou fatores como a contribuição sociocultural que a iniciativa traz às comunidades e a melhoria da qualidade de vida dessas comunidades a partir de suas práticas culturais, entre outros critérios.

De acordo com o dirigente da Associação das Manifestações Folclóricas de MT, Wanderson Magalhães Farias, o apoio e parceria da Prefeitura de Várzea Grande, por meio da Superintendência de Cultura, foi primordial para a divulgação do trabalho das entidades em alcançar o reconhecimento pelo trabalho realizado com mais 2.300 jovens nas escolas da rede pública municipal e estadual.

Criada em Várzea Grande no ano de 2003, com o objetivo de manter vivas as manifestações folclóricas de Mato Grosso, a Associação das Manifestações Folclórica de Mato Grosso – AMFMT realiza trabalhos que contemplam a área sociocultural, com oficinas de aprendizagem de manifestações folclóricas em cinco escolas municipais e estaduais, tendo sua sede administrativa no bairro Jardim Glória I, em Várzea Grande.

A Associação das Manifestações Folclórica de Mato Grosso teve suas atividades classificadas como o segundo melhor projeto da região Centro-Oeste com 98 pontos dos 100 possíveis e um dos melhores do País. “A classificação do seu projeto é mais uma vitória da Associação, que atualmente é certificada como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura e considerada de utilidade pública pelo município de Várzea Grande”, disse a superintendente de Cultura, Maria Alice de Barros.

Cada um dos projetos selecionados, espalhados por todos os Estados e o Distrito Federal, receberá R$ 20 mil, totalizando R$ 10 milhões em recursos. Segundo os organizadores do Prêmio Culturas Populares 2018 – Edição Selma do Coco, este é o maior volume de recursos já disponibilizado pelo projeto, que em 2018 chega a sua sexta edição.

O objetivo da iniciativa do Ministério da Cultura é fortalecer as expressões culturais populares brasileiras, retomando práticas populares em processo de esquecimento e que difundam as expressões populares para além dos limites de suas comunidades de origem. Exemplos dessas iniciativas são o cordel, a quadrilha, o maracatu e o mato-grossense siriri, entre outros.

Para o secretário Silvio Fidélis, a classificação dos projetos de Várzea Grande demonstra o alto padrão de qualidade, organização e profissionalismo do movimento cultural do município. “Parabenizamos os classificados de Várzea Grande para o Prêmio Culturas Populares 2018 e reforçamos a parceria e o apoio da Prefeitura Municipal, por meio da Superintendência de Cultura no esforço permanente em levar a todos os públicos as diversas manifestações artísticas e culturais da nossa terra, em ações positivas divulgando nossas tradições e resgatando nossa história”, declarou.  

Por: Fred Nogueira - Secom/VG


Polícia Civil abre inscrições para 13ª edição do Projeto Arte e Cultura em Ação

A Polícia Judiciária Civil abre nesta terça-feira (23.10) as inscrições para a 13ª edição do Projeto Arte Cultura em Ação. Desenvolvido pela Área de Acompanhamento Psicossocial da PJC desde 2006, o projeto tem como objetivo mostrar o talento dos servidores e familiares.

O evento acontece no dia 14 de dezembro no auditório da sede da Diretoria Geral da PJC.

As inscrições podem ser realizadas entre os dias 23 de outubro a 13 de novembro através dos telefones (65) 99972-5945 e 3613-5627, ou ainda via email: equipepsicossocial-gadss@pjc.mt.gov.br

A ação voltada para os servidores da Polícia Civil busca fortalecer as relações interpessoais, sendo uma ferramenta de aproximação dos policiais civis, familiares e a comunidade, por meio de exposições e apresentações artísticas e culturais de servidores talentosos.

Todos os servidores e familiares que tenham um talento especial ou que queriam demonstrar a sua forma de arte são convidados a contribuir com a comemoração. Então se você canta, toca, dança, faz artesanatos, pinta, contra piadas, se é um artista na cozinha ou tem outro dom especial, deixe a timidez de lado e venha participar do evento.

Agora, se você não tem nenhum talento especial, mas é animado e gosta de uma boa confraternização, se prepare para essa grande festa.

O projeto é também um canal de  promoção da autoestima e qualidade de vida dos servidores, em razão dos momentos de descontração, alegria e integração proporcionados durante seus eventos.


Com crítica política, animação brasileira é destaque em festival

Por Agência Brasil*

O filme brasileiro "Tito e os Pássaros", dirigido por Gustavo Steinberg, Gabriel Bitar e André Bato, foi destaque do cinema latino no Animation is Film Festival, em Holywood (Estados Unidos), no fim de semana. O filme mostra a coragem de um grupo de crianças disposto a enfrentar a "epidemia do medo". Indiretamente, o filme faz críticas políticas.

A animação brasileira mostra uma interpretação poética e colorida para narrar as aventuras de Tito, de 10 anos, e os amigos em um mundo completamente dominado pelo medo.
À Agência EFE, Steinberg afirmou que a mensagem do filme tem relação direta com as eleições presidenciais no Brasil, polarizadas entre os candidatos Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).
"A ideia é ter estreia comercial no início do ano que vem”, disse o diretor. “Não podemos ser dominados pelo medo. Temos que tentar enfrentar e encontrar a solução", acrescentou. “As pessoas estão ficando loucas por causa do medo", acrescentou.

O objetivo, segundo Steinberg, é buscar a aproximação com as crianças sobre temas de grande significado social porque essa é "a única maneira" de "conceber um novo mundo".

Além da animação brasileira, o festival teve produções do Japão, da Argentina e Hungria, entre outros.


Uma inscrição de 2.000 anos resolve o último mistério da devastação de Pompeia

Descoberta de escrita feita a carvão em uma parede demonstra que a erupção do Vesúvio ocorreu em 24 de outubro, e não em 24 de agosto


Criação de museu de time esportivo é discutida pelo Ministro Sá Leitão

A criação do Museu do Flamengo, o Fla Memória, foi discutida nesta segunda-feira (1) entre o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, o representante do escritório Regional Sudeste do Ministério da Cultura (MinC), Matheus Quintal, o gerente de Patrimônio Histórico do Clube de Regatas do Flamengo, Rodrigo Saboia, e o sócio da empresa Mude, Marcelo Fernandes. Ao explorar inovação tecnológica, o Fla Memória espera receber de 150 a 250 mil visitantes por ano.
 
O representante do clube estima um investimento de R$ 14 milhões para a execução do projeto Fla Memória. Para captar o valor, o ministro sugeriu a elaboração de um projeto voltado para a Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet). Segundo Sá Leitão, a proposta é inovadora pois o Brasil tem grande proeminência no esporte e o Fla Memória seria o primeiro museu desse porte, nesse segmento, no País. "O Flamengo tem atualmente 36 milhões de torcedores, o que dá sustentabilidade de médio a longo prazo ao museu. Falta no Brasil um projeto como este", afirmou o ministro.
 
A proposta envolve a montagem de exposição sobre a história do Clube Flamengo e sua importância na vida econômica e sociocultural do estado do Rio de Janeiro e do País. A estrutura, planejada para ter cerca de 2 mil m², pretende expor o acervo do clube de forma tecnológica, explorando a interatividade com o público.
 
Dividido em 15 áreas temáticas, o projeto convida a uma viagem pela história do clube. Para isso, a sede do Flamengo, no bairro da Gávea, passará por uma transformação para alocar essa nova estrutura. A iniciativa é inspirada em museus e exposições de clubes internacionais, como Juventus, Real Madrid e Barcelona.
 
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura 

Conheça projetos voltados para crianças com apoio da Rouanet

 
Projetos culturais em todos os estados brasileiros já foram realizados para o público infanto-juvenil por meio da Lei Rouanet. Graças ao incentivo fiscal, ao longo dos últimos 27 anos, desde que a Lei Rouanet foi criada, foi possível viabilizar festivais de teatro, circo, dança, exposições, concertos, apresentações literárias e oficinas. 
 
"O que mais chama a atenção é a diversidade das propostas. Há projetos para grandes públicos, de formação de jovens músicos, programas de leitura em escolas, festivais de cinema, folclore, teatro, exposições. A variedade é incrível, o que mostra o caráter democrático e inclusivo da lei", ressalta o secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura (MinC), José Paulo Soares Martins.
 
Música para todos 
 
Entre os projetos voltados para crianças que têm apoio da Rouanet destaca-se a Orquestra Criança Cidadã (OCC), que já conseguiu captar R$ 6,5 milhões para cinco das oito propostas apresentadas ao MinC. Os recursos vão para os planos anuais de manutenção e para circulação nacional. De acordo com Carlos Eduardo Amaral, assessor de Comunicação da orquestra, a Lei é essencial para a manutenção do projeto. "Toda a divulgação para patrocinadores é focada na Rouanet, pois sabemos que há muitas empresas que podem contribuir com o projeto por meio da Lei. Ao longo dos anos, temos conseguido ampliar o percentual de patrocínio por meio da Rouanet", afirma. 
 
Atualmente, a OCC atende, gratuitamente, 360 crianças e jovens de baixa renda de Recife e dos municípios pernambucanos de Ipojuca e Igarassu. Criado pelo juiz João José Rocha Targino, o projeto tem o objetivo de promover a cidadania de crianças e jovens entre seis e 21 anos. Os alunos recebem aulas de instrumentos de corda, percussão, teoria e percepção musical, flauta doce e canto coral, além de instrumentos de sopro – flauta transversal, oboé, clarinete, trompa e fagote. 
 
O programa conta ainda com apoio pedagógico, atendimento psicológico, médico e odontológico, aulas de inclusão digital, fornecimento de três refeições por dia e fardamento. A Orquestra também garante a profissionalização dos alunos por meio da Escola de Formação de Luthier e Archetier, onde aprendem a arte da construção e reparo dos instrumentos de corda. Desde sua criação, em 2006, a OCC já atendeu mais de 600 crianças e jovens e recebeu mais de 20 prêmios, incluindo o Prêmio Caixa Melhores Práticas em Gestão Local, de âmbito nacional. Na esfera internacional, a Organização das Nações Unidas (ONU) escolheu a Orquestra como uma boa prática de inclusão social, em dezembro de 2010.
 
Assista a vídeo sobre o projeto, produzido pela TV Universitária Recife
 
Exposições
 
Outro exemplo de projetos realizados com o apoio da Rouanet são as exposições e oficinas organizadas pelo artista plástico Glenn Hamilthon. Desde 2012, já foram cinco projetos: Futebol Criança, Ybyrá Mitã, Brincadeiras de Criança e Atibaia Criança. Destinadas ao público infantil do município de Atibaia (SP), as mostras, realizadas com R$ 341 mil captados via Rouanet, uniram arte, futebol e educação artística e socioambiental. 
 
A história de Glenn é um pouco atípica, pois ele foi chamado a desenvolver seus projetos pelo diretor do departamento de marketing de uma indústria local, já acostumada a utilizar os mecanismos de isenção fiscal para fins culturais. Desde então, ele se empenhou em conhecer com profundidade o mecanismo de mecenato da Lei Rouanet. "Sem a Rouanet, nada disso seria possível", diz o artista, que já fez oficinas com mais de 5 mil crianças em situação de vulnerabilidade da região. "Nós ensinamos para as crianças que a arte é para todos, que eles também podem fazer arte, por isso usamos materiais reciclados, aparas, tudo pode ser transformado em arte", conclui. Na próxima edição, Glenn pretende ministrar oficinas para 1,8 mil crianças. 
 
Crianças para o bem
 
Em Brasília, a organização internacional Nova Acrópole, além dos cursos e oficinas regulares de filosofia, também organiza o projeto Criança para o Bem. Em parceria com o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do Distrito Federal, o projeto atende, anualmente, 180 crianças de famílias em vulnerabilidade social. O projeto conta com o apoio da Lei Rouanet, por meio do qual já captou R$ 196 mil para suas atividades, além de outras parcerias, como com o programa Criança Esperança.  
 
Desde sua fundação, em 2007, já foram atendidas mais de 2 mil crianças. São oferecidas 
Desde sua fundação, em 2007, o Proheto Criança para o Bem já atendeu mais de 2 mil crianças (Foto: Divulgação)
 
atividades como aulas de balé, música, poesia, esporte, artesanato e acompanhamento escolar, além do transporte de ida e volta. As atividades ocorrem no contraturno escolar, em dias específicos da semana de acordo com a idade das crianças – as mais novas são atendidas em dias alternados das mais velhas. A sexta-feira é guardada para reuniões com os pais, ensaios extras para as apresentações de fim de ano e passeios. No fim do ano, há sempre uma apresentação em algum teatro parceiro do projeto. Todas as aulas e espetáculos são gratuitos e abertos à comunidade. 
 
Museu educativo
 
O museu Inimá de Paula, em Belo Horizonte, utilizou recursos captados por meio da Lei Rouanet para os projetos educativos Criança no Museu e Arte Educação. No total, são R$ 1,9 milhões captados desde 2010, que proporcionaram a cerca de 80 mil crianças a visita gratuita ao acervo permanente e às exposições temporárias. 
 
O museu Inimá de Paula, em Belo Horizonte, utilizou recursos captados por meio da Lei Rouanet para os projetos educativos Criança no Museu e Arte Educação (Foto: Divulgação)
 
Em sua maioria, as crianças vêm de escolas públicas da capital mineira e são acompanhadas durante toda a visita por monitores treinados. Cada uma recebe um kit educacional com uma caixa de lápis de cor, lápis, borracha, régua e um livreto em que podem até fazer seu autorretrato. A visita começa pelo atelier do artista, que foi reconstruído no museu, e segue pelas salas de retratos, de autorretratos e paisagens, e então segue para as exposições temporárias. O museu fornece ônibus para transporte de algumas escolas e lanche para todas as crianças. 
 
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura

O classicismo transgressor de um mestre: Irving Penn

Ele revolucionou a fotografia de moda no início dos anos 1940, mas sua experiência criativa abrangeu diferentes áreas. Mostra que estreia no IMS, em São Paulo, comemora seu centenário

GLORIA CRESPO MACLENNAN/EL PAÍS

“Uma boa fotografia é aquela que toca o coração do espectador e o transforma depois que a vê”, dizia Irving Penn. Explicação simples de um dos grandes mestres da fotografia do século XX, que por quase sete décadas não deixou de surpreender o público através de imagens de enganosa simplicidade e intransigente e austero classicismo, capazes de desafiar as convenções da linguagem fotográfica com o espírito inovador da vanguarda. Tarefa complexa.

Ele considerou a fotografia o meio para mergulhar na história visual do homem. Um elo adequado entre o Paleolítico e um presente multicultural. Em suas imagens, o tempo para. É eterno. “Porque Penn bebeu da arte de todas as épocas, suas imagens são carregadas de profundas conexões históricas, e ainda que sejam praticamente invisíveis em uma primeira consideração, todos as pressentimos de maneira instintivamente, diz a curadora Maria Morris Hambourg. “Essa aceitação histórica, juntamente com a autoridade do talento de Penn, é o que confere a suas fotografias aquela qualidade atemporal que identificamos na grande arte.”

Rochas Mermaid Dress (Lisa Fonssagrives-Penn), Paris, 1950
Rochas Mermaid Dress (Lisa Fonssagrives-Penn), Paris, 1950 IRVING PENN / CORTESÍA IRVING PENN FOUNDATION
 

Morris é a curadora de Irving Penn: Centennial (Irving Penn: Centenário), exposição inaugurada em abril de 2017 no Metropolitan Museum de Nova York e que chega a São Paulo nesta terça-feira, 21 de agosto, no Instituto Moreira Salles (IMS), onde fica em cartaz até o dia 18 de novembro. A mostra celebra o centenário do célebre criador nascido em 16 de junho em Plainfield, Nova Jersey, Estados Unidos e aspira a ser a mais extensa retrospectiva já realizada do artista norte-americano, que inclui tanto as obras mais grandiosas quanto as mais desconhecidas, de suas séries principais.

“Você está perdido no momento em que sabe qual será o resultado”, dizia Juan Gris. De forma intuitiva, Penn sabia dessa máxima do pensamento criativo quando, no início de sua carreira, trabalhando com Alexei Brodovitch, de graça, na revista Harper’s Bazaar, um estagiário deixou cair no chão, acidentalmente, um negativo do designer russo. Penn lembrava que, quando levou o negativo para o seu mestre, este olhou para ele e, sem se perturbar, disse: “faz parte do meio”. “Surpreenda-me!” pedia Brodovitch com frequência; este inimigo do clichê e da imitação, que na época redesenhava o design gráfico dos EUA como diretor artístico, e com quem tinha tomado contato quando foi seu professor no Pensylvania Museum and School of Industrial Art. Por causa da situação financeira precária, Penn dormia no estúdio de seu mentor. À noite, ele examinava meticulosamente uma coleção de publicações que incluíam Arts et Métiers Graphiques, Cahiers d’ArtVerve e Minotaure, iluminando-o nos caminhos da reluzente vanguarda parisiense; especialmente o surrealismo.

Truman Capote, Nova York, 5 de março de 1948ver fotogalería
Truman Capote, Nova York, 5 de março de 1948IRVING PENN / CORTESÍA IRVING PENN FOUNDATION
 

Penn não teria se tornado Penn sem Brodovitch, e também não o seria sem Alexander Liberman. Este era outro um exilado russo. Levou a arte de vanguarda para as páginas da Vogue, trabalhando como diretor de arte; combinando a sofisticação europeia ao pragmatismo norte-americano. Penn seria uma figura fundamental nessa façanha. Foi Liberman que incentivou o jovem norte-americano a fazer as próprias fotografias, quando trabalhava como designer para a revista, os fotógrafos (entre eles Horst, Cecil Beaton e Erwin Blumenfeld) rejeitavam suas propostas para capa. Sua primeira capa para a famosa publicação da Condé Nast saiu em 1943: uma composição com bolsa, lenço e cinto, em cores.

Sua reputação foi forjada através das páginas da Vogue mediante a fotografia de moda, naturezas-mortas e retratos. Ele faria mais de 150 capas ao longo de sua carreira. Desde o início estabeleceu os padrões estéticos para a elegante moda dos anos 1940 e 1950, com imagens maravilhosas de linguagem contundente, meticulosamente orquestradas, onde os tecidos adquirem uma qualidade escultórica que transmuta seus modelos, transformando-as em deusas clássicas contemporâneos. A roupa, mais que um artigo a ser usado, é sintetizada em formas que revelam uma silhueta. Sem dúvida, sua modelo favorita foi Lisa Fonssagrives, com quem se casou em 1950. Ela estrelou algumas de suas fotos mais icônicas.

After-Dinner Games, Nova York, 1947
After-Dinner Games, Nova York, 1947 IRVING PENN / CORTESÍA IRVING PENN FOUNDATION
 

Entre 1946 e 1948, Liberman encomendou-lhe uma série de retratos das personagens mais relevantes do mundo da cultura na época. Em seu estúdio, ele construiu um ângulo vertical de fundo, como um canto onde posicionava seus modelos. Essa localização incômoda potencializava a expressão do modelo e, aliada às distorções produzidas pela perspectiva e uma iluminação bem cuidada, conferia às personagens um poder indiscutível. “Muitos fotógrafos pensam que seu cliente é o tema”, dizia Penn em entrevista ao The New York Times em 1991. “Meu cliente é uma mulher no Kansas que lê a Vogue, é ela que tento intrigar, estimular, alimentar... Talvez um retrato severo não seja, para o fotografado, a maior alegria do mundo, mas é extremamente importante para o leitor.”

Cigarette No. 37, Nova York, 1972
Cigarette No. 37, Nova York, 1972 IRVING PENN / CORTESÍA IRVING PENN FOUNDATION
 A necessidade de liberdade para experimentar esteve muito presente durante toda a vida do artista. Por isso soube trabalhar simultaneamente como artista e como fotógrafo de revistas e publicidade, definindo uma pauta que hoje pode nos parecer habitual, mas não era em seu tempo. Sua série de nus femininos faz parte de um de seus projetos pessoais. Sua câmera se deleitava em corpos roliços retratados sem nenhum pudor em close-ups de textura crua e tom realista. “Esses nus não só se rebelavam contra as convenções da beleza da metade do século, como também iam contra a prática fotográfica, onde ainda se buscava uma boa resolução no detalhe e uma representação realista”, diz Morris. Liberman recusou-se a publicá-las, exceto uma. Edward Steichen, então curador do MoMA, também os rejeitou.

“Fotografar um bolo pode ser arte”, defendia. Assim, buscou beleza no perecível, na fruta madura, nas pontas de cigarro, nos objetos descartados ou em crânios de animais. Ele também voltou suas lentes para culturas exóticas, retratando os índios quíchua no Peru, e as tribos da Papua-Nova Guiné, cuja estética da beleza desafiava os cânones ocidentais. Mas em tudo isso sempre houve uma busca pela perfeição. Na introdução ao livro Passage: A Word Record, Liberman lembra esse desejo, quando em um projeto no qual Penn devia fotografar umas taças quebrados em uma bandeja, ele insistiu que, por uma questão de autenticidade, as taças tinham de ser do caríssimo cristal Baccarat; assim, várias dúzias de taças caíram no chão antes de Penn ficar satisfeito.

Morreu em 2009 depois de trazer, como diria a crítica de arte Rosamond Bernier, “uma poesia para a imobilidade”.


Cinco cidades vão receber apoio federal para se candidatarem à Rede de Cidades Criativas da UNESCO

Assessoria

O Ministério da Cultura (MinC) vai oferecer, pela primeira vez na história, apoio técnico às cidades brasileiras que queiram se candidatar ao título de cidade criativa da UNESCO. O MinC lançou o edital nesta sexta-feira (27), durante oficina de capacitação sobre leis federais de incentivo para produtores culturais em Vitória (ES).

As cidades selecionadas receberão consultoria especializada para a elaboração do dossiê de candidatura. Cada cidade deve identificar uma área temática preferencial, que já seja significativa na cultura e na economia locais. As possibilidades são: artesanato e artes folclóricas, design, cinema, gastronomia, literatura, artes midiáticas ou música. As inscrições estarão abertas na segunda quinzena de agosto. 

"Na prática, ao ganhar o selo da UNESCO, a cidade passa a ter suporte e condições de desenvolver sua vocação criativa, fortalecendo a cadeia de empreendimentos e atividades da área temática pela qual foi escolhida, seja ela gastronomia, design, cinema ou outra. Isso resulta na atração de mais turistas, na geração de emprego, renda e desenvolvimento para a região. Por isso é tão importante investir na candidatura ao título", enfatiza o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão. Segundo ele, com o edital, o MinC quer ajudar as prefeituras a apresentarem propostas mais competitivas na próxima seleção de cidades criativas, que acontecerá em 2019.

Oito cidades brasileiras já fazem parte da Rede de Cidades Criativas: Belém (PA), Florianópolis (SC) e Paraty (RJ), no campo da gastronomia; Brasília (DF) e Curitiba (PR) no do design; João Pessoa (PB), artesanato e artes folclóricas; Salvador (BA), música; e Santos (SP), cinema. O programa da Unesco tem o objetivo de promover a cooperação internacional entre cidades que investem na cultura e na criatividade como fatores de estímulo ao desenvolvimento sustentável. Atualmente, 180 cidades de 72 países fazem parte da rede.

O edital tem como objetivo estimular a elaboração de planos de desenvolvimento que, além de estimular a economia criativa e que tenham a cultura como base, contribuam com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) previstos na Agenda 2030 da ONU. Podem participar do certame quaisquer municípios integrantes do Sistema Nacional de Cultura (SNC) e que já desenvolvam ou pretendam desenvolver ações nas quais a criatividade seja vetor de desenvolvimento urbano sustentável e que ainda não tenham sido eleitas cidades criativas pela UNESCO. 

Rede de Cidades Criativas

A Rede de Cidades Criativas da UNESCO foi criada em 2004. Na prática, as participantes assumem o compromisso de compartilhar experiências e conhecimento entre si; de desenvolver parcerias com os setores público, privado e a sociedade civil; fomentar programas e redes de intercâmbio profissional e artístico; de realizar estudos, pesquisas e de criar meios de divulgação que ampliem o conhecimento sobre a Rede e suas atividades.

Para serem integrantes da Rede, as cidades precisam passar por processo de seleção realizado pela Comissão de Avaliação da UNESCO. A proposta de candidatura deve demonstrar de forma clara e prática a disposição, o compromisso e a capacidade em contribuir com os compromissos das cidades criativas. Deve apresentar um plano de ação realístico, incluindo detalhamento de projetos, iniciativas e políticas que serão executadas nos quatro anos seguintes à admissão ao Programa.


Pesquisa mapeia hábitos culturais de 12 capitais brasileiras

Assessoria

Entender como 33 milhões de brasileiros, residentes em 12 capitais do País, consomem diversão e arte, e fornecer insumos para que produtores e gestores culturais saibam das preferências de seus consumidores e impulsionem os setores que precisem de mais desenvolvimento. Esses são os objetivos da Pesquisa Cultura nas Capitais, projeto realizado pela JLeiva Comunicação em parceria com o Datafolha, com o incentivo da Lei Rouanet. Os resultados estão disponíveis no site Cultura nas Capitais.

Para o público de Brasília, a produtora organizou uma apresentação com os dados completos da Pesquisa no próximo dia 1º de agosto, das 9h às 13h30, no Centro Cultural do Banco do Brasil. A entrada é gratuita e as inscrições podem ser feitas pelo site.

Cultura e educação

Para realizar a pesquisa, foram entrevistadas 10 mil pessoas, de 12 anos ou mais, de 14 de junho a 27 de julho de 2017 em Belém, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís e São Paulo. Os resultados mostram que a leitura (68%) é a atividade cultural favorita da população das capitais, que também tem o hábito de ir ao cinema (64%) e a shows (46%).

O grau de escolaridade é um fator determinante para o consumo de atividades e bens culturais. A população que tem ensino superior completo consome mais em todas as áreas abordadas na pesquisa: livros, cinema, shows, festas populares, feiras de artesanato, bibliotecas, dança, museus, teatro, circo, saraus e concertos.

Em relação à regularidade no consumo, 33% da população frequenta entre três e cinco atividades culturais ao ano, enquanto 32% disse ir a dois eventos ou menos. Já 23% tem o costume de ir a eventos artísticos e de diversão entre seis e oito vezes ao ano, e 12%, entre nove e 12 vezes, a taxa mais alta.

O consumo de eventos e bens culturais gratuitos é maior: 32% da população disse só consumir esse tipo de atividade, enquanto apenas 8% declarou consumir somente atividades pagas. A intenção de consumo é maior entre as mulheres, embora a distância entre a taxa que mede a vontade de comparecer a atividades culturais e a frequência seja menor entre os homens.

No caso dos museus, por exemplo, ainda que 60% do público feminino tenha planos de ir a exposições e mostras, apenas 29% chega a comparecer de fato a essas atividades, uma diferença de 31 pontos percentuais. Entre os homens, a distância é de 19 pontos.  

Metodologia

Os entrevistados foram abordados pessoalmente em 990 pontos das capitais e responderam a um questionário com cerca de 50 perguntas. Além de questões sobre os hábitos culturais, também houve apuração de variáveis sociodemográficas, como sexo, idade, escolaridade, classificação econômica e renda.

A margem de erro da pesquisa é de 1 ponto percentual para mais ou para menos, chegando a 95% de confiança. Do total de entrevistados, 53% eram mulheres e 47% homens, 24% tem ensino superior completo e 76% possuem ensino médio ou fundamental.

Incentivo Fiscal

A Pesquisa Cultura nas Capitais contou com o apoio do mecanismo de incentivo fiscal da Lei Rouanet, que aprovou a proposta a captar recursos no valor de R$ 1.170.842,80. Do total aprovado, os produtores da pesquisa conseguiram patrocínio de R$ 1.168.027,30.

Os projetos aprovados via Lei Rouanet podem ser acompanhados por qualquer cidadão, pelo Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (Salic), no menu Transparência do Portal da Lei Rouanet. O link dá acesso aos dados básicos dos projetos apresentados, aprovados e apoiados, assim como aos valores de cada um deles.


Misc recebe evento em homenagem ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana, Caribenha e Tereza de Benguela

Da Redação

A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Turismo, junto ao grupo Ciranda Crioula, realizam de 13 a 30 de Julho, no Museu da Imagem e do Som – Misc, a exposição “De Benguela, de Cuiabá, do Mundo, Terezas”, organizada por Érica Sales, Isis de Castro e Gilda Portella. E também, a “IX Ciranda de Crioula” que vai  trazer uma programação voltada ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana, Caribenha e Tereza de Benguela. No museu, as comemorações em homenagem a data, será no dia 21.

No dia 25 de julho se celebra o Dia da Mulher Afro-Latina-Americana e Caribenha. A data foi criada em 25 de julho de 1992, durante o I Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-caribenhas, em Santo Domingos, República Dominicana, como marco internacional da luta e da resistência da mulher negra. No Brasil, o marco também homenageia Tereza de Benguela, que foi uma importante líder quilombola no século XVIII.

A comemoração à historicidade das mulheres “Terezas” personifica alegrias, dores, lutas, esperança e reflexões sobre a negritude, além de nuances culturais da matriz africana, vetores do universo feminino negro, suas raízes profundas e condutoras da história e cultura mato-grossense. São obras de mulheres que retratam outras personalidades femininas, contando sua história, ou a de outrem, sensibilizando os olhares pela arte.

“Estamos abrindo o Misc para que todas as pessoas possam se manifestar culturalmente. Queremos o lugar amplamente habitado e repleto de arte dos mais diferentes conceitos. Daqui para frente teremos uma vasta programação, que engloba desde exibições de cinema e música à fotografia, cursos e seminários. Vamos transformá-lo em um espaço vivo e interativo”, ressaltou Francisco Vuolo, secretário municipal de Cultura, Esporte e Turismo.

Além das organizadoras, o movimento tem Edilaine Duarte, Claudio Benassi, Lindalva Alves, Luana Soares, Luiz Renato, Maria Clara Bertúlio, Silviane Ramos, Talita Gonçalves, Tereza Helena, Cristovão Luiz, Grupo Aguerê, Lupita Amorim, Antonieta Luisa Costa, Gonçalina Eva Almeida de Santana, Silviane Ramos, Erica Salles, Isis Castro, Regina Cancio, Graça Almeida, Ivan Neto, Mario Luiz, Grupo Aruandê, Mestre Borracha, Sonia Aparecida, Isla Castro e João Almeida.

O evento exibe obras de Gilda Portella, Meg Marinho e Paty Wolff, retratando o universo infanto-juvenil e de mulheres negras anônimas, além do cotidiano das artistas ou da história brasileira e mato-grossense.

“São as Mulheres em ciranda, uma por todas e todas por uma. Já ouvimos essa cantiga nas caminhadas a militar, nessas telas, nessas telas, estamos todas lá! Cores, faces, lutas e bandeiras a levantar. É um projeto ousado de toda arte misturar. É a cara de quem organiza, num misto de congregar... Estão elas, uma por todas e todas por uma em suas telas a registrar! Mas nessa ciranda tem poeta, tem cantora, grafiteira, atriz a embalar, essa mistura de artes de todas por uma propiciando o Encantar!”, concluiu a entusiasmada Paty Wolf. Confira programação completa:

IX Ciranda de Crioula - Programação Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha e Tereza de Benguela

De 13 a 30 de julho - Exposição “De Benguela, de Cuiabá, do Mundo, Terezas” - Gilda Portella, Meg Marinho e Paty Wolff

Dia 13: 16h - Oficinas de Turbantes - Gilda Portella, Meg Marinho e Paty Wolff.

Oficina de Dança Afro - Grupo Ayoluwá – Cristovão Luiz.

Dia 21: Das 16 horas às 21 horas

Exposição Heroínas Negras - Coletivo Negro da UFMT - Painting Art - Paty Wolff;

Apresentação das Instituições Representativas, Movimentos Sociais e seus representantes.  Roda de Afoxé - Grupo Aguerê.

No Palco Dona Francisca - Performance  - Lupita Amorim Sarau de Poesias afro mato-grossense: Edilaine Duarte, Claudio Benassi, Lindalva Alves, Luana Soares,   Luiz Renato,  Maria Clara Bertúlio, Silviane Ramos, Talita Gonçalves, Tereza Helena  e aberta a  demais participações. Mediadoras - Antonieta Luisa Costa e Gonçalina Eva Almeida de Santana

Lançamento do livro Pérolas Negras, de Silviane Ramos.

Ciranda Umbigada - Erica Salles e Isis Castro.

Cântico e Dança Sagrada - Grupo Cultural Tambores da Jurema Axé e Dendê - Regina Câncio, Graça Almeida, Percussão – Ivan Neto e Mario Luiz.

Roda de Capoeira - Aruandê e Mestre Borracha

Artesanatos: Mandalas e Orixás - Sonia Aparecida, Bonecas Negras (Abayomi) - Regina Cancio

Dia 25: Exposição de Fotografia Ciranda e Terezas Cuiabanas com Isla Castro e João Almeida.


Na Unesco, em Paris, ministro anuncia apoio técnico para cidades brasileiras ingressarem na Rede de Cidades Criativas

Assessoria

Em visita à sede da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) nesta quarta-feira (13), em Paris, o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, expressou interesse em ampliar a participação brasileira na Rede de Cidades Criativas da instituição. Sá Leitão se reuniu com a diretora-geral da Organização, Audrey Azoulay. Para o ministro, o investimento na cultura e na criatividade é fundamental para promover o desenvolvimento sustentável.
 
Sá Leitão disse que pretende lançar, nas próximas semanas, em parceria com o escritório da Unesco em Brasília, um chamamento público para selecionar duas cidades brasileiras que receberão capacitação técnica para apresentar suas candidaturas para ingressar na Rede de Cidades Criativas. O ministro aproveitou a oportunidade para apoiar a candidatura de Santos (SP) como sede, em 2020, da reunião anual da Rede.
 
A Rede de Cidades Criativas foi criada em 2004, com o objetivo de estimular a inovação e a criatividade em sete áreas temáticas: artesanato e artes folclóricas, design, cinema, gastronomia, literatura, artes midiáticas e música. No ano passado, a Rede já contava com 180 cidades de 72 países, sendo oito do Brasil: Brasília (DF) e Curitiba (PR), na área de design; Belém (PA), Florianópolis (SC) e Paraty (RJ), em gastronomia; João Pessoa (PB), em artesanato e artes folclóricas; Salvador (BA), em música; e Santos (SP), em cinema.
 
Centro Lúcio Costa
 
Durante o encontro, Sérgio Sá Leitão e Audrey Azoulay assinaram a renovação do acordo de credenciamento do Centro Lúcio Costa (CLC) junto à Unesco. Vinculado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o CLC é um centro de formação profissional que visa aperfeiçoar a gestão do patrimônio cultural e promover a cooperação entre países de língua portuguesa e espanhola, na América do Sul, na África e na Ásia. A cada seis anos, seu credenciamento junto deve ser renovado.
 
Audrey Azoulay disse que o Centro Lúcio Costa revela a disposição brasileira de contribuir para a cooperação internacional em matéria de gestão do patrimônio, beneficiando países de língua espanhola e portuguesa da América do Sul, da África e da Ásia. 
 
Sá Leitão mencionou o compromisso de criar um centro de referência no Cais do Valongo, no Rio de Janeiro. A ideia é que o futuro espaço funcione como um centro de informações, de visitação e de interpretação do sítio arqueológico do Cais do Valongo, que ingressou na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco no ano passado. Nesta sexta-feira, o ministro anuncia cessão de prédio à Fundação Cultural Palmares para a construção desse centro.
 
O tráfico ilícito de bens culturais foi outro tema da reunião. O ministro fez um breve relato do seminário Proteção e circulação de bens culturais: combate ao tráfico ilícito, promovido pelo MinC e pelo Instituto Itaú Cultural, na semana passada, em São Paulo (SP). Ele adiantou que o ministério vai criar uma Secretaria de Direitos Autorais e Propriedade Intelectual, com uma coordenação específica de combate à pirataria e ao tráfico de bens culturais.
 
Sá Leitão convidou Azoulay para vir ao Brasil, em novembro, na primeira edição do Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MicBR) – megaevento que reunirá produtores culturais, empresários e artistas da América do Sul e de outros continentes na cidade de São Paulo (SP).
 

Favela e poder público se unem para debater cultura e potencial da indústria criativa no País

 Assessoria
 
Em uma roda de conversa composta pelo ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, pelo diretor-presidente da Ancine, Christian de Castro, o cantor Dudu Nobre, a jornalista Flávia Oliveira, a fundadora da Feira Preta, Adriana Barbosa, a atriz, cantora e fundadora do Dream Team do Passinho, Lellêzinha, o cantor Serjão Loroza, o presidente da Cufa Global, Preto Zezé e os líderes da Cufa, Nega Gizza e Celso Athayde, os debatedores trocaram experiências e levaram ao público, que se aglomerou sob o Viaduto Negrão de Lima, em Madureira, informações sobre empreendimentos e linhas de financiamentos governamentais nas mais diversas áreas da cultura.
 
Uma das principais referências da Cufa, a rapper Nega Gizza, lembrou o papel de transformação social da cultura. "É pela cultura que gente como a gente, nascida e criada nas favelas do Brasil, consegue ter vez e voz. É o universo cultural que nos permite quebrar um ciclo de anonimato e alcançar o nosso protagonismo", disse na abertura do evento.
 
A importância da economia criativa como terreno gerador de oportunidades de inserção profissional, de acesso ao mercado de trabalho de geração de riqueza para o País e para as pessoas foi enfatizada pela mediadora do debate, Flávia Oliveira. "O emprego, como nós conhecíamos, não existe mais nem na quantidade e nem no nível de remuneração que desejamos e merecemos. Nesse sentido, a capacitação e a formalização são essenciais para que, entre os milhares de profissionais autônomos, surjam novos empresários".
 
Ativos culturais e capacitação
 
Entusiasta do potencial da indústria criativa, Sá Leitão apresentou os números que mostram a cultura como um dos principais ativos econômicos do País. "54% do fluxo de dados nas redes de telecomunicações no Brasil são para acesso para a conteúdos audiovisuais variados. Mais da metade do faturamento do setor de telecomunicações tem a ver com o que a gente faz no seio da economia criativa e da cultura", exemplificou.
 
Para o ministro, reforçar a importância dessa indústria vai além de uma questão individual para cada um dos artistas, dos produtores e dos gestores culturais. "É muito maior do que uma visão setorial voltada apenas ao fortalecimento da área da cultura. Isso tem a ver com o projeto de País.
O País que queremos construir, mais justo, com mais oportunidade, com emprego, com geração de renda, com senso de pertencimento. As atividades culturais e criativas têm tudo a ver com isso", ressaltou.
 
Na avaliação de Sá Leitão, a não realização do potencial do setor está intimamente ligado ao fato de as pessoas, de um modo geral, não conseguirem enxergar o valor simbólico e econômico da cultura. "Me angustia ver o quanto nós desperdiçamos esse ativo que temos no Brasil. Sou otimista, como todo brasileiro, consciente da realidade, mas esperançoso. Estou convencido de que onde vemos crise, precisamos ver oportunidade, uma plataforma de impulsionamento.
 
Independentemente de as atividades criativas não serem socialmente valorizadas como devem, elas seguem crescendo a uma velocidade impressionante", disse.
 
De acordo com o ministro, entre 2012 e 2016 as atividades criativas cresceram 9,1%, ao ano. "Vale lembrar que nesse período vivemos um momento de profunda recessão. Mais impressionante do que o crescimento pregresso é o potencial de desenvolvimento futuro", declarou. O ministro destacou para o público todos os investimentos feitos pelo Ministério da Cultura nos últimos meses, os editais lançados e as medidas adotadas para simplificar o acesso das pessoas aos programas e linhas de financiamento da Pasta.
 
O fascínio pela potência da criatividade levou o engenheiro, Christian de Castro, hoje diretor-presidente da Agência Nacional do Cinema (Ancine), a se dedicar à produção cinematográfica. À frente da Ancine desde o início do ano, ele destacou o potencial da indústria audiovisual dentro da economia criativa e a necessidade de capacitação para tornar o setor mais inclusivo.
 
O diretor da Ancine falou sobre as linhas de investimento aprovadas este ano para formação e capacitação. "A ideia é trazer a tecnologia para dentro desse jogo. Com novas mídias e o digital, os diferentes criadores poderão elaborar novos modelos negócio ou novas formas de distribuir e entregar o conteúdo da sua atividade cultural. Nossa intenção é aproximar ainda mais esse universo do escopo de trabalho da Ancine. Apesar de ter cinema no nome, a agência hoje procura englobar toda a cadeia produtiva do audiovisual para que o setor possa incluir um número ainda maior de pessoas", enfatizou.  
 
Empreendedorismo negro
 
O desemprego levou a empresária Adriana Barbosa a se lançar, com uma amiga, nos mercados alternativos de rua. O trabalho incessante de Adriana permitiu que um antigo brechó se tornasse uma feira de rua e, anos depois, uma feira de pavilhão. Criadora da Feira Preta, maior evento de cultura e empreendedorismo negro da América Latina, a empresária construiu um modelo de economia criativa que trouxe também impacto social. "Nossa preocupação era colocar o negro no centro da produção, sendo ele dono da sua própria criação, permitindo que a circulação monetária ficasse na mão dele".
 
Para ela, a inclinação para os negócios faz parte da cultura e da história do povo negro no nosso País, sobretudo, das mulheres negras. "Estamos fazendo essa economia criativa há pelo menos 130 anos. Desde as mulheres que vendiam na Bahia, com seus tabuleiros na cabeça, sem frequentar universidade ou compreender estratégias de marketing. Hoje, em pleno século 21, temos diversas influenciadoras digitais que fazem vídeos no YouTube e mudam todo o mercado de cosméticos. Tudo isso mostra que a terminologia economia criativa, criada no Reino Unido, já é parte de nós há muito tempo", declarou.
 
Oriundos do meio artístico, Serjão Loroza e Dudu Nobre, revelaram suas trajetórias não apenas como artistas, mas como empreendedores do meio cultural. Para o cantor e ator nascido no Morro São José, sobreviver da arte foi um de seus maiores e mais bem-sucedidos empreendimentos.
 
"Entendi desde muito cedo que primeiro colocamos a aeronave no ar e depois aprendemos a pilotar. A cachaça Doloroza, meu novo empreendimento, surgiu depois de observar que, nos últimos anos, 80% dos shows que eu fiz foram financiados pelas bebidas que eram vendidas ao redor do evento. Percebi que poderia fazer o mesmo não apenas para a minha arte, mas para os projetos parceiros ou que me interessem culturalmente", disse.
 
Dudu Nobre, que desde os 10 anos é músico, acredita que um dos grandes desafios na área musical é a constante adaptação à realidade do mercado. "Com a difusão dos meios digitais, até mesmo as tradicionais emissoras de televisão estão sofrendo um baque com a entrada de canais de vídeo sob demanda. Minha dificuldade agora é levar essa nova realidade para o meu público, por exemplo, que não tem costume de acessar YouTube, Spotify. Cabe a mim apresentar todas essas inovações para aqueles que me acompanham há anos", ponderou.
 
Mais jovem das empresárias e debatedoras do time, Lellêzinha revelou que a produtora criada por ela (Toca Tudo Produções) nasceu do sonho de levar a cultura da favela, do funk para o mundo.
 
"No início da minha carreira tinha o sonho de disseminar o passinho em todos os lugares. Hoje, o Dream Team do passinho virou uma marca de música, de moda, de grupo de funk. No
ssa empresa já trabalha com outros artistas e outros projetos. Mas o mais importante é ver que nossa meta foi cumprida".
 
Ativismo social e criativo
 
Preto Zezé, presidente da Cufa Global, disse acreditar que a Central Única das Favelas representa um espaço de puro protagonismo e empreendedorismo. "Aqui transformamos um lugar de depressão em um local de criatividade. Esse debate é muito importante porque estamos reunindo pessoas pretas para falar não de tragédia, de morte, de exclusão, mas de economia. A juventude negra não se resume a discriminação e hoje estamos comprovando isso", disse.
 
A vontade de unir empresas a ações sociais levou o publicitário Caio Coimbra a criar uma agência de causas. "Quando a gente fala de economia criativa, estamos falando sobre valorizar as coisas que estão presentes no nosso dia a dia. Minha missão é fazer com que as empresas possam comprar causas. Maquiar produtos para vender ideias nunca me atraiu", enfatizou.
 
Já o fundador da Cufa, Celso Athayde, destacou todo o caminho percorrido por ele desde a infância pobre em Madureira até a criação da ONG e da Favela Holding (conjunto de empresas que tem como objetivo central o desenvolvimento de favelas e de seus moradores), e ressaltou a necessidade de combater as desigualdades. "Ao reunir moradores de favelas e a população negra na nossa Holding, não estamos apenas ganhando dinheiro, estamos democratizando o acesso dessas pessoas ao mercado. Uma de nossas empresas, a Favela Voando, tem mais de 200 agências de viagem. E neste debate vemos tudo o que eu sonhei lá atrás se materializando cada vez mais. Ou o País pega toda a riqueza que a favela gera e divide com a periferia ou vamos ser obrigados a conviver com a tragédia que a elite vem gerando por conta da concentração de renda", concluiu.
 
Balcão de dúvidas
 
Para que os moradores das favelas, artistas e agentes culturais pudessem conhecer um pouco sobre as linhas de fomento disponibilizadas para a cultura, o MinC levou técnicos de algumas secretarias para tirar as dúvidas do público sobre editais, questões burocráticas, entre outros temas. Após o sucesso da iniciativa, o plantão de dúvidas deverá ser transformado em uma ação permanente. A ideia é que a Cufa ceda uma sala para que, uma vez por semana, técnicos do Ministério da Cultura se revezem para esclarecer moradores, produtores e artistas locais sobre os programas e linhas de crédito do MinC.

Página 1 / 9

Próximo »

Copyright  - MT HOJE  - Todos os direitos reservados